









Este pequeno texto tem uma finalidade. Desculpar-me com os amigos leitores que aqui comparecem vez ou outra para uma leitura.
Mais uma vez obrigado aos amigos que por aqui passaram e amanhã retomamos a troca de idéias.
Caiu mais um pouco, desta vez através da figura até então insuspeita do senador Eduardo Suplicy, a moral dos parlamentares brasileiros, que por tradição sempre esteve na altura da sarjeta, mas como a boca do esgoto fica na beirada da sarjeta, não é de todo improvável que novas revelações a façam rolar galerias abaixo. Galerias do esgoto jornalístico, é claro, porque nas galerias políticas do congresso, um pouco mais embaixo, já não tem mais espaço para nada.

Foram-se os tempos do Lula sindicalista, que se dizia representante do povo menos favorecido e protetor da classe trabalhadora. Hoje vemos um Lula transfigurado, coisa que na verdade a maioria das pessoas suspeitava, apenas encobria magistralmente a figura de um demagogo que hoje se aproveita do poder e ao mesmo tempo se tornou protetor dos mais favorecidos e amigo da classe fraudadora, por assim dizer. 
Enquanto isso, fica o fraco e oprimido povo brasileiro a ver os aviões cruzando os céus enquanto todos trabalham duro e mal pagos aqui embaixo, sob um sol de rachar pedra. Até mesmo os militares ficam a ver aviões, tirando guarda e se quebrando em suas manobras na selva. Muito acima de todos, dentro dos aviões, em ambiente luxuoso e climatizado, passam os deputados, o antigo sindicalista Lula e a antiga guerrilheira Vanda, todos trocando apertos e porque não dizer, acertos de mão.
O termo picareta é usado na gíria popular como sinônimo de enganador, vigarista e coisas assim. Em 1993, quando adentrou as dependências do congresso nacional ( é com letra minúscula mesmo ) Lula disse que alí dentro, para ele, só existiam "300 picaretas". Entusiasmados com a declaração, os membros do grupo "Paralamas do Sucesso" fizeram uma música falando disso, chamada "Luis Inácio (300 picaretas). Na época foram até censurados pela letra. Hoje, eles também fazendo parte dos arrependidos poderiam lançar uma nova música, que se chamaria "Luis Inácio (301 picaretas).
Resta saber se o governo vai mandar a nova foto do presidente para todas as repartições pelo Correio mesmo ou se os deputados vão se oferecer para levar todas elas para o Brasil inteiro. De avião, é claro. 
Necrológios podem ser feitos sobre a vida de uma pessoa e descrever como viveu e morreu. Era também uma forma de o exército americano dar para a família dos soldados mortos a notícia sobre como um dos seus filhos tinha morrido em combate. Isso fica bem claro no filme "O resgate do soldado Ryan", onde um grupo de soldados parte em missão de salvar outro.
Os feridos eram atendidos com os socorristas e médicos atuando também sob fogo inimigo. A maioria deles, ao socorrer seus companheiros de luta também se feriu ou morreu. Depois do fim dos combates, quando os soldados americanos puderam enfim ver a praia conquistada, puderam também ver claramente as baixas que haviam sofrido.
Em geral as cartas faziam uma descrição breve do acontecido e eram entregues pelo setor de comunicação do exército americano. Toda família que visse o carro com o emblema do exército chegando sabia que podia esperar uma notícia triste. Mães e pais ao verem o carro começavam a chorar.
Por meio desta informamos que seu marido veio a falecer no hospital público estadual. Já sobrecarregado trabalhando para completar sua pequena aposentadoria, ele sofreu um infarto enquanto trabalhava como pedreiro, função que exerceu por toda a vida, sempre competente e assíduo em seu serviço. Como a Sra. já devia ter conhecimento, a assembléia estadual permite uma corrupção sem precedentes na administração atual e além de se aposentarem de forma privilegiada, o que rouba recursos e verbas do orçamento, ainda nomeiam apadrinhados incompetentes, para não dizer desonestos, para gerirem a área de saúde. Acolhido no hospital sem recursos, seu marido agonizou recebendo apenas analgésicos. Sentimos muito pela sua perda.
Plantonista responsável e desesperado 
Prezada Sra. Maria Silva
Nossas condolências à Sra. e a toda sua família pela perda de sua filha ontem no hospital público federal. Tentamos de tudo para salvá-la e tínhamos esperanças, afinal os ferimentos que ela sofreu ao ser atropelada não foram graves, mas eram essenciais os medicamentos que ela necessitava e a transfusão de sangue que teria salvo sua vida, o que não tínhamos em estoque e nem conseguimos transporte para levá-la a outro hospital. Como a Sra. deve conhecer um pouco da tradição política brasileira, nossos deputados federais e senadores primam pelo descaso com a vida do cidadão e imersos na corrupção, administram de forma desleal, eu diria mesmo assassina, os recursos bilionários que recebem do governo federal e mais ainda com as nomeações de aliados políticos ineptos e igualmente corruptos, que no final criaram o sistema público de saúde, que mais que o acidente, esse sim provocou a morte de sua filha.
Equipe médica sem esperanças
Vivemos todos nós brasileiros esse drama. Na verdade essa guerra. No dia 6 de junho de 1944, milhares de soldados americanos e seus aliados desembarcaram nas praias da Normandia para atacarem um sistema que representava a tirania, a opressão e o genocídio no mundo. Foram vitoriosos.
Nós brasileiros, sofrendo todos os dias as baixas dessa guerra que a corrupção move contra nós, temos igualmente que entrar numa espécie de combate semelhante, se quisermos manter nossas vidas, mais que isso a vida da nossa própria nação.
Haverá sem dúvida mais sofrimento, mas se formos decididos, se empunharmos as armas para lutar contra esse sistema de corrupção, de degradação moral e de decomposição política que hoje nos infelicita, devemos sim empunhar as armas, sejam elas quais forem, que efetivamente nos levem à vitória. O tempo de vivermos uma ilusão, ouvindo os discursos de políticos hipócritas e traidores que falam de democracia e cidadania apenas para continuar enganando a todos já passou.