sexta-feira, 17 de junho de 2011

P72 O fim de um ciclo

Uma mudança necessária...
Apesar dos tempos que vivemos, supostamente de democracia e cidadania, não poderia ser mais triste a visão que temos quando olhamos a sociedade brasileira como um todo nos dias de hoje. Fazemos parte dessa sociedade e estamos portanto expostos a tudo o que acontece em nosso meio. Como atores desse imenso drama social, nosso papel, examinado pelas demais nações do mundo e por nós mesmos tem sido vergonhoso, por culpa da estrutura política que existe no nosso país, que a tudo degenera e a todos oprime, em que pese a fingida democracia em que vivemos, que nada mais é do que a rapinagem política e social generalizada, onde cada cidadão está entregue à sua própria sorte e a nação, na verdade, sem rumo algum.
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Vive-se no Brasil oficial e propagandístico de uma mídia submissa a interesses políticos e econômicos, uma euforia localizada, em que uma pequena parte da população tem acesso a benefícios econômicos e a uma pequena ascensão social, benesses que vem mais da imensa capacidade de exportação de minérios provenientes da riqueza do nosso solo do que da capacidade propriamente dita de pesquisar, inovar e desenvolver técnicas e produtos que além de terem uma boa acolhida e procura por outros países, teriam como resultado final o contínuo desenvolvimento da possibilidade de não só manter mas aumentar a capacidade própria de criação e desenvolvimento intelectual e efetiva auto-segurança e predominância da nação no cenário mundial, caminho seguro para a sobrevivência de uma nação forte e realmente independente, como é mostrado pelo exemplo de outras nações mais desenvolvidas. Ao contrário disso, o Brasil de hoje mostra uma limitada capacidade de apenas repetir algumas poucas coisas do que já foi desenvolvido em outros países. O tão cantado progresso é sempre a eterna dependência de outras nações, sempre em posição de inferioridade e subordinação da vida nacional em todos os níveis.
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Beneficiando-se desse deplorável estado de coisas, um ínfima parcela da população, que são os membros mais altos dos três poderes, a tudo assiste sem nenhum desejo de mudança, que não seja a mistificação que se repete a cada quatro anos, chamada de eleições, que nada mais servem a não ser escolher entre oponentes de sempre ou aliados de última hora. Oponentes de sempre, longe de qualquer ideologia, querem apenas tomar todo o lucro desses estado de coisas para suas siglas partidárias e para si mesmos, discordando de qualquer partilha de lucros, advindo daí sua oposição a outros competidores. Aliados de última hora apenas acertaram repartir entre si e seus partidos os lucros bilionários que obtém nessa vida de parasitas políticos, que vivem às custas do trabalho do povo brasileiro e da venda das riquezas nacionais a estrangeiros.
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Sufocada nessa estrutura social criada para proteger e servir os mais ricos e mais bem situados nessa construção política e judiciária, batida em suas fictícias escolhas eleitorais onde palhaços e corruptos são eleitos, sufocada em seu trabalho diário e atemorizada pelas tristes perspectivas de um futuro sem recursos, à população nada mais resta fazer senão obedecer ao conjunto de leis injustas que esse grupo político cria para exploração dela e para seu benefício próprio.
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Como uma das últimas linhas de defesa, já em grande parte depauperadas por mais de 20 anos de sucateamento, as Forças Armadas, ainda com comandantes preocupados com os rumos atuais mas completamente isolados por uma mídia serviçal do poder, tentam de todas as formas reverter a situação enquanto assitem ao contínuo empobrecimento dos seus quartéis e percebem que suas forças de terra, mar e ar se tornam a cada dia menos capazes de defender o Brasil de qualquer eventualidade futura. Mesmo nos dias de hoje nem podemos dizer mais que nosso país tenha forças militares capazes de defendê-lo. A cada diretriz dos atuais governantes, estes, longe de cuidarem das nossas forças militares, tratam cada vez mais de caminharem um passo a mais no rumo para as tornarem forças subordinadas a interesses estrangeiros, como sempre foi comum em países mais pobres da América Latina, simplesmente porque isso serve a seus propósitos políticos..
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Nesse intolerável estado de coisas, é necessário que os cidadãos repensem a vida e suas posturas políticas, hoje na situação de falsos cidadãos de uma falsa democracia que apenas os vê apenas como pagadores de impostos para enriquecimento de corruptos e vendilhões da nação, meras máquinas de trabalho que possam render o máximo de lucros com o mínimo de conservação.
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Direitos são negados para os cidadãos e para a nação, deveres são esquecidos e mais privilégios são criados para os que se beneficiam de tudo isto que vemos e vivemos, mais que vivemos, na verdade sofremos.
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É tempo de em definitivo os cidadãos reverem sua postura de obediência a esse estado de coisas, que sendo útil apenas para uma classe de políticos e dirigentes corruptos, dia a dia leva a nação a um futuro onde esgotados o valor de seus recursos minerais, apenas pobreza e total submissão a estrangeiros será a ordem normal da vida dos filhos e herdeiros desse presente que vivemos, mas que ainda poderemos alterar de forma decisiva, pelo bem do Brasil e de nós mesmos, como coletividade humana que luta por um futuro melhor e uma nação, que com sua diginidade restabelecida, seja também verdadeiramente representativa no cenário mundial.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

D01 Depois de tudo perdido

Apenas um pequeno clique...
Com esta postagem inicial recomeço no novo espaço que criei Cartas do Vellker ainda recebendo retoques finais, o antigo bilogue (aportuguesei a palavra) que mantive por muito tempo no Terra, o velho http://vellker.blog.terra.com.br que ontem, por causa de um pequeno clique, deixou de existir.
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Há algum tempo atrás pude voltar a acessá-lo e ontem quando salvava textos para republicar, ao rever e apagar algumas postagens que haviam ficado como rascunho, por distração dei o comando de "excluir tudo" e não apenas uma postagem. Quando me dei conta do erro, me senti como o piloto que ao aterrissar vê faíscas saindo debaixo do avião e percebe que, ora essa, esqueceu de baixar o trem de pouso. Claro, fica de orelhas vermelhas enquanto vê a agitação na torre de controle.
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Por sorte ninguém morreu, a não ser textos e imagens que mantive desde 2006. Textos e imagens que lamento ter perdido. E findou-se a memória do velho bilogue, que agora começo a repostar através do que havia conseguido salvar. Lá aprendi a postar os primeiros textos, refazer a redação, corrigir temas e conjugar imagens com o assunto escolhido. Também conheci muitos amigos da chamada bilogosfera, no Brasil e no exterior e valeu a pena o aprendizado.
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Na medida do possível, os textos serão repostos ordenados da melhor forma possível. Apesar do tempo passado, vai valer a pena ler de vez em quando.
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Tento o acesso mais uma vez com uma certa esperança, olho para a mensagem na tela informando que o bilogue não foi encontrado e de vez me sinto como o piloto, que depois de sentir o avião parar na pista, olha para a torre de controle e liga o rádio balbuciando alguma desculpa. Era só ter apertado um pequeno botão e o avião estaria a salvo.
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No meu caso era só ter dado um clique em outro botão e tudo ainda estaria em seu lugar.
Acontece nos melhores teclados.

sábado, 4 de junho de 2011

P71 Nos tempos do Soviete Supremo

O Soviete Supremo à moda brasileira..
Ao que tudo indica, andou sendo reencenada por esses dias uma versão brasileira do Soviete Supremo da finada União Soviética. E parece que a encenação ainda vai longe. Com a mistura da apatia da presidente Dilma frente ao choque das denúncias contra o ministro Antonio Palocci, a intervenção de Lula nos bastidores e os desmentidos dados pelo ministro via Rede Globo, o cenário não poderia lembrar outra coisa.
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Para quem não viveu aqueles tempos, o Soviete Supremo da União Soviétia trazia sempre em suas reuniões uma leva de dirigentes octogenários, que além de comunistas ortodoxos, eram quase sempre doentes e cambaleantes, dos tipos mais fáceis de serem manipulados numa estrutura de poder, mesmo que alcançassem o cargo máximo de secretário-geral do Partido Comunista. Facções em luta pelo poder se aproveitavam de homens idosos e doentes como se fossem marionetes, com as verdadeiras decisões sendo tomadas nos bastidores.
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Assim, nos telejornais da época aparecia a figura de um Leonid Brezhnev apático ou cambaleante durante anos, que levado ao poder em 1964, ao longo dos anos foi adoecendo e se tornando combalido enquanto a imprensa estatal a tudo desmentia, até que em 1984 ele morreu. Em seu lugar entrou Yuri Andropov, igualmente enfermo, com a promessa de reformas e mudanças e que de forma surpreendente viveu apenas 2 anos. Claro, não teve tempo de fazer as reformas políticas que pretendia ou que pelo menos dizia querer.
Para o novo secretário-geral escolheram Konstantin Chernenko, que de forma mais surpreendente ainda viveu apenas 1 ano, sempre acompanhado dos desmentidos oficiais que procuravam ocultar seu estado de saúde. A todas essas escolhas os comunistas do Brasil assistiam dizendo que o novo líder seria a renovação do comunismo. Nas reuniões plenas do Soviete Supremo todos os membros concordavam com a escolha. Não havia um único voto contrário, que seria a mesma coisa que cometer suicídio.
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Não era surpreendente que os eleitos morressem logo. O surpreendente era que o colégio eleitoral do soviete supremo escolhesse homens tão debilitados esperando que vivessem um longo tempo. Mistificações, notícias de ocasião e conchavos de gabinetes era tudo o que acontecia nos círculos do poder de então, até que uma vez eleito, Mikhail Gorbachev realmente renovou tudo e favoreceu a implosão da União Soviética em 1991, evitando uma guerra civil.

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O roteiro do que realmente aconteceu na época da Guerra Fria em tudo é semelhante ao que acontece nos dias de hoje em Brasília, onde o que se pode chamar de Soviete Supremo do Partido dos Trabalhadores, junto com o que podemos chamar também de Soviete Supremo dos partidos que compõem o governo, está tendo um trabalho difícil para debelar a crise das denúncias contra o ministro Antonio Palocci. Aqui não existem dirigentes octogenários, conservadores, doentes e fáceis de serem manipulados, mas pode existir uma presidente doente cercada por corruptos acuados por denúncias, um grupo de comunicações se aproveitando da situação e um grupo de "aliados" que é em tudo semelhante a uma matilha de lobos, tentando conseguir seu quinhão de poder, se não o poder definitivo.
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Frente ao estado de visível abatimento da presidente Dilma Roussef, em certos momentos quase parecendo no limite de suas forças frente às câmeras de televisão, até mesmo ao ex-presidente Lula tiveram que recorrer, em vista da aparente incapacidade da atual governante de decidir de uma vez por todas a questão, demitindo o ministro, que pelas respostas evasivas que tem dado, já deu mostras suficientes de estar mais do que comprometido em atos nada aceitáveis com sua empresa, muito provavelmente envolvida com o dinheiro público.
Em sua busca de garantir o poder de qualquer forma, entram em cena os famosos conchavos entre os amigos do poder, tanto com os que estão no cargo atualmente como entre os que um dia já tiveram salas perto do gabinete da presidência da República.
No meio de tudo isso, oferece seus préstimos ao governo a tão falada Rede Globo, inimiga visceral de Lula, Dilma e do Partido dos Trabalhadores. A mesma Rede Globo que exultava nos seus editoriais as derrotas de Lula em eleições anteriores e fez todo o possível para derrubá-lo nas vezes em que ele esteve envolvido pelas denúncias de corrupção de expoentes do seu governo, ofereceu ao ministro Palocci uma agradável entrevista pré-gravada onde as perguntas aparentemente difíceis ofereciam amplas saídas para generalizações, respostas vagas e falas sem conclusão nenhuma.
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Reservou-se o ministro Antonio Palloci o direito de ocultar muitas respostas sob essa névoa de evasivas com o argumento de proteção do sigilo econômico e de nomes de terceiros, seus ex-clientes, enquanto que no caso do caseiro Francenildo que teve seu sigilo bancário quebrado e sua conta corrente na Caixa Econômica Federal exposta ao público, o mesmo Antonio Palocci não mostrou nenhuma reserva ou constrangimento em expôr completamente o caseiro que o denunciava a todos os telejornais. Talvez porque o caseiro Francenildo não fosse cliente dos negócios do então ministro.
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Na época o depoimento do caseiro Francenildo numa CPI foi impedido por uma liminar concedida ao senador Tião Viana do PT, que ao invés de ouvir tudo para tudo esclarecer, teve a inestimável ajuda do STF para silenciar o depoente. Uma tentativa de incriminar o caseiro como tendo recebido suborno para o depoimento foi veiculada pela revista Época, que é propriedade das Organizações Globo, a mesma que comanda a Rede Globo. E apenas um dia depois de veiculada, a reportagem foi desmentida.
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Talvez por isso a Rede Globo tenha recorrido ao seguro esquema de uma agradável entrevista pré-gravada, sem participação ao vivo de alguma assistência, que poderia terminar em revelações surpreendentes de última hora e fora de controle.
Em tudo e por tudo seus repórteres e apresentadores parecem membros dos jornais estatais da finada União Soviética, com um senso de oportunismo político dos mais indecentes, quando não de uma subserviência ao poder inacreditável, seja ele de esquerda, de direita ou econômico de grupos estrangeiros, que sempre protegem e nunca denunciam.

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No meio de tais aventureiros políticos, surge assim mais uma vez e de forma incontestável esse oportunismo nauseante da Rede Globo e por consequência, das Organizações Globo, que no fundo desejando ver fora do poder esse governo, ainda assim concede ao ministro uma privilegiada entrevista, esperando uma compensação pelos serviços prestados.
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Poderia ser na contratação de milionárias verbas publicitárias de empresas estatais como a Petrobrás, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal? Seria mesmo lucrativo.
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Outros órgãos de imprensa, com uma ou duas honrosas exceções, como revistas semanais e jornalões tradicionais, de propriedade de famílias conservadoras, longe de serem órgãos contestadores e verdadeiros oponentes políticos em defesa do Brasil e do povo brasileiro, apenas defendem seus interesses e lucros.
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Na medida em que uma denúncia favorece seus negócios, denunciam. Na medida em que seus negócios estarão mais favorecidos com a ocultação de atos de corrupção, é o que fazem, não falando uma palavra ou imprimindo uma linha sequer sobre isso.
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De forma diferente, os jornais estatais da União Soviética que defendiam os secretários-gerais do Partido Comunista não contavam com verbas ou favores futuros, apenas eram obrigados a isso sob pena de prisão. Eram assim mais autênticos pelo menos. Ou escreviam o que o governo queria ou iam presos. Aqui os jornalistas podem barganhar o que vão ou não escrever, o que vão denunciar ou o que vão esconder.
Nesse soviete supremo do jornalismo tropical encenado por aqui, muitas denúncias apresentadas com as cores de patriotismo ou jornalismo investigativo não passam de dores de favores não concedidos ou então de obediência a ordens de desafetos daqueles que estão no poder.

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Já com os "aliados" de Dilma, que ela escolheu como aliados de campanha mas são uma matilha de lobos, o estado de abatimento da presidente frente às câmeras de televisão parece a eles uma dádiva divina. Estando ela em tal situação, o que não é improvável, visto que teve que pedir socorro até ao ex-presidente Lula, homens do tipo mais condenável como José Sarney, Renan Calheiros, os antigos discípulos do finado Antonio Carlos Magalhães e outros totalmente sem caráter que Dilma fez questão de cortejar em busca de apoio político, serão os primeiros a tentar de tudo contra ela, para que na verdade assumam o poder através do vice-presidente Michel Temer.
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E nessa infeliz conjugação de interesses dos mais baixos e sempre contra o povo e a nação brasileira, se desenrola essa mísera e patética reedição tropical do Soviete Supremo da União Soviética.
O que não se deve esquecer são as lições da História. No antigo Soviete Supremo russo, todos acreditavam na eternidade do sistema. Ao assumir o poder, percebendo que a queda da União Soviética era inevitável, Mikhail Gorbachev fez as inadiáveis reformas que levariam à queda do regime, mas conseguiu evitar que isso degenerasse numa guerra civil onde os partidários do antigo sistema de corrupção tentariam ainda envolver o poder militar para voltarem ao poder.
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Mais surpreendente do que o desfile de líderes semi-mortos foi a rebelião das Forças Armadas, que pela primeira vez em mais de meio século deixaram de obedecer o centro de poder.
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Aqui no Brasil, essa vai ser a única forma de derrubar esse sistema onde os três poderes, totalmente aliados de um núcleo de poder corrupto, acreditam-se eternos e impunes.

domingo, 29 de maio de 2011

P70 Uma pequena usina

Tão pequena quanto uma bomba atômica...
Com a recente notícia de que mais um reator da usina nuclear de Fukushima teve sua refrigeração afetada, enquanto que os vazamentos de água radioativa continuam acontecendo para o mar, o Japão e por sequência todas as nações que construíram reatores nucleares, veem enfim, de frente, a inescapável situação de lidarem com uma das forças mais destrutivas do planeta. Na década de 70, com a bilionária febre de construções de usinas nucleares pagas por orçamentos governamentais, que no fundo sustentavam corporações sem clientes particulares para o que haviam criado, essas instalações ficaram de tal forma espalhadas por tantos países com o argumento de que eram absolutamente seguras, que hoje seu fechamento e troca por outra alternativa energética ficou inviável e ao mesmo tempo o desgaste contínuo de suas estruturas mantém seus construtores em contínuo estado de alerta, necessitando de mais verbas governamentais.
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Engenheiros e cientistas dos mais responsáveis alertavam na época para o perigo do que chamavam de loucura nuclear ou seja, a construção em número crescente de usinas nucleares, com a aprovação governamental baseada em relatórios que eles consideravam no mínimo fantasiosos sobre a tão alardeada segurança. Esses cientistas foram marginalizados pelas corporações, por governos e pela mídia da época. Para piorar, muitas usinas foram construídas próximas do mar, pois isso barateava e muito os custos de uma estação de bombeamento e represamento da água do mar para a refrigeração dos reatores. Para que construir tais estações que deixariam a usina a uma distância segura do mar, se era mais lucrativo construí-las a distâncias de, no máximo 200 metros do mar? Contra todas as objeções, eram apresentados estudos nunca comprovados de segurança absoluta. Uma mídia que no fundo queria ser enganada pensando nas verbas publicitárias propagou essas notícias em todos os países.
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Acidentes já aconteceram. Na década de 50, dois grandes acidentes na antiga União Soviética e na Inglaterra serviram de lição, esquecida em meio às pressões das grandes corporações. As mesmas que hoje, como a Tepco do Japão, que construiu a usina de Fukushima de frente para o mar, já à beria da falência, pede socorro ao governo japonês que estima em mais de 200 bilhões de dólares os custos para enfrentar a catástrofe do vazamento nuclear. Aos poucos o governo e a mídia vão deixando a população saber que aquela área do país está praticamente perdida, talvez por quase um século. Este é o balanço do potencial de desastre das usinas nucleares, neste caso de uma só usina nuclear, que como seus construtores asseguravam, era totalmente segura. Tão segura que podia ser construída na beira do mar.
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Texto originalmente publicado no bilogue Cartas no Dia em 06.05.11.

Já aconteceu de verdade antes e depois...
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Filme recomendado

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A Síndrome da China (The China Syndrome, EUA, 1979)
Na longa e inesquecível cronologia dos filmes que retratam certos acontecimentos reais dos nossos tempos, alguns se destacam não só pela marcante interpretação dos atores com o trabalho de roteiristas muito bons. Juntando tudo isso com uma direção competente, temos o que chamamos de clássicos do cinema.
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Apesar de uma produção até simples para os padrões do cinema americano, é assim que podemos descrever "Síndrome da China", um filme que retratou de forma vívida um drama real que já aconteceu bem antes que ele fosse produzido e inacreditavelmente aconteceu na época apenas 12 dias depois do lançamento do filme e no Japão acontece nos dias de hoje enquanto estas linhas são lidas. No tempo em que o leitor vê este texto, na agora antiga usina nuclear de Fukushima no Japão e mais novo jazigo nuclear do mundo, tudo o que o personagem principal deste filme mais temia acontece a cada minuto, com a massa de combustível nuclear aos poucos vazando para o mar.
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Jack Lemmon, um dos artistas mais expressivos de Hollywood interpreta o engenheiro-chefe de operações de uma uma usina nuclear americana, que em determinado dia percebe apavorado que por um erro do painel de instrumentos quase haviam provocado a fusão do reator e pior ainda, percebera com isso um defeito na construção do sistema de resfriamento. Sem ele saber estavam vendo tudo os repórteres de uma emissora de televisão, com a jornalista interpretada por Jane Fonda junto com Michael Douglas como o cinegrafista, que estavam ali para uma reportagem sobre o dia a dia de uma usina e haviam chegado no exato momento do incidente.
Depois de alertar seus superiores e a empresa proprietária da usina sobre os problemas que havia percebido, Jack percebe por parte da empresa a atitude de minimizar o ocorrido e manter as ações da empresa sem problemas no mercado financeiro. Más notícias além disso teriam o efeito de provocar o adiamento da nova usina construída pela empresa e em fase de aprovação pelo governo americano. Pior ainda, ao analisar os dados de segurança entregues na aprovação da usina, ele percebe que os dados haviam sido falsificados.
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Correndo contra o tempo, Jack conta apenas com contatos com a repórter para tentar denunciar o que poderia acontecer e ao voltar para a usina encontra uma operação de teste em força máxima em andamento, o que poderia provocar exatamente o que ele temia, a fusão do núcleo radioativo. Sem alternativas ele invade a sala de controle armado, expulsa todos de lá e tomando o controle da usina, passa a exigir a presença da imprensa para denunciar tudo o que estava acontecendo.
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Fora da sala de controle, a única preocupação dos diretores da empresa é fazer o desligamento externo dos circuitos para neutralizar as ações do engenheiro. Com a entrada da repórter na sala para entrevistar Jack ao vivo, o maior temor dos diretores da empresa já acontecera. Era inevitável a paralisação da nova usina, o fechamento da que estava com problemas e acima de tudo a perda financeira. Em nenhum momento os diretores da empresa levavam em conta que estavam com um núcleo de combústivel nuclear com problemas, arriscando uma catástrofe de proporções colossais. Interessava-lhes apenas preservar os lucros da empresa e é claro, seus lucros pessoais. Uma catástrofe nuclear e milhares de vítimas estavam fora das considerações.
Parece loucura que diretores de uma empresa possam agir assim, com toda sua educação formal, mas foi exatamente o que aconteceu antes do filme. Em 1957 em Windscale na Inglaterra, uma usina para fins militares, somente a insistência de um engenheiro em reforçar os sistemas de isolamento evitou que uma parte do país ficasse inabitável. Um incêndio no núcleo de urânio provocou a desativação da usina. Tudo o que restou da usina permanece em constante monitoramento. Em Kyshtym na antiga União Soviética, também em 1957 a fusão do núcleo provocou centenas de mortes e a usina permanece como um jazigo nuclear.
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Apenas 12 dias depois do lançamento do filme, a usina nuclear de Three Mile Island sofreu um acidente com exposição do núcleo radioativo em quase tudo semelhante aos acontecimentos do filme. Em 1986 o mundo ficou estarrecido com o acidente de Chernobyl, que hoje é um gigantesco jazigo nuclear. Em 2011, depois de um tsunami que provocou milhares de mortos e a destruição das salas de controle da usina de Fukushima no Japão, o núcleo de combústivel nuclear entrou em fissão sem controle, provocando a explosão de um dos reatores que até agora permanecem com sua reação sem controle, com um providencial esquecimento da mídia. A atitude do grupo de dirigentes da empresa foi de minimizar custos e até mesmo racionar a comida dos técnicos que trabalham na contenção do desastre, enquanto faziam apressadas reuniões para tentar acalmar os ânimos no mercado de ações.
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Na época da construção da usina por uma empresa americana, um engenheiro demitiu-se do projeto denunciando o que ele considerava absurdas falhas de segurança no projeto, em especial a usina ser tão próxima do mar numa região sujeita a terremotos como o que aconteceu.

A atitude dos grandes empreiteiros e burocratas governamentais poderia ser apenas ficção mas não é. No mais recente caso de contaminação nuclear, uma catástrofe natural desencadeou outra que já estava engatilhada por tais atitudes, de prezar acima de tudo lucros corporativos e pessoais.
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Nos tensos momentos em que a repórter entrevista o engenheiro dentro da sala de controle, nas coisas que ele consegue dizer até o desfecho final, fica uma clara imagem de como deveriam ser operados esses sistemas, que ao invés disso são submetidos a um lógica de mercado absolutamente insana.

domingo, 15 de maio de 2011

P69 A foto que você não pode ver

Fotos formam opiniões quando são mostradas...ou até mesmo escondidas...
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Não é intenção minha mostrar fotos de guerra como as que seguem abaixo por descaso com os leitores. As fotos são chocantes, mas retratam o que é uma guerra e o trabalho notável de fotógrafos estrangeiros durante a guerra do Vietnã, uma das piores em que os americanos entraram e que foi talvez a última onde os jornalistas puderam trabalhar sem entraves, mostrando ao seu país e ao mundo o que lá acontecia. Foi um dos últimos acontecimentos onde os militares americanos mantiveram a tradição de mostrar o que acontecia, coisa que faziam desde os tempos da guerra civil americana em 1860.
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Na guerra do Iraque, a censura dos militares americanos é visível. Muitas das fotos mostradas nos dias de hoje vem de jornalistas que escapam dessa censura ou mesmo de cidadãos que registram as cenas e as colocam na Internet, de onde vencem qualquer impedimento. Ameaças de morte dos soldados a jornalistas no Iraque já se tornaram coisa comum. Trabalham quando não intimidados, arriscados a não poderem mostrar o que registraram. Que tipo de soldado procura ocultar o registro das coisas que são feitas? Somente os que sabem que estão cometendo atos, que longe dos combates, podem ser vistos como crimes de guerra.
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A morte de Osama Bin Laden recentemente anunciada com grande propaganda pelo mundo afora, traz junto do que alguns jornalistas proclamaram como uma espetacular vitória, uma atitude estranha mas reveladora do que aconteceu. Alegando que a foto de Bin Laden morto só acirraria o ódio dos radicais islâmicos contra os americanos, a Casa Branca mesmo tendo assistido a tudo em áudio e vídeo transmitidos ao vivo e a cores pelos soldados americanos, achou que o melhor a fazer seria ocultar tudo o que foi gravado. Todo o meticuloso registro de imagens e palavras ficou, por enquanto, para sempre oculto, sendo liberadas apenas algumas fotos de parentes de Bin Laden também mortos.
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Nas grandes cidades da Europa e da América, depois de um momento de júbilo onde os cidadãos deram vazão à sua alegria, todos viram-se subitamente envolvidos por um sentimento de medo. Em Nova Iorque muitos americanos passaram a recusar táxis dirigidos por imigrantes paquistaneses ou indianos. Na Inglaterra coisa parecida também acontece dentro do metrô, onde parar perto de um imigrante indiano provoca desconforto. Na Espanha, a mesma coisa dentro de trens. Algo mais além do secular racismo europeu e americano hoje permeia a vida nessas cidades. Um certo receio desceu como uma névoa, com o sentimento silencioso de que afinal pode haver uma vingança mesmo. 80 cadetes paquistaneses já pagaram a conta pela morte do terrorista, mortos por um suicida que entrou no ônibus que os levava e detonou os explosivos que carregava. Na Europa, na América, quem será o "premiado" por isso tudo? Será que pode acontecer mesmo? Não teria sido melhor terem capturado Bin Laden vivo para um julgamento? Porque estão escondendo tudo? É o novo receio que toma conta de todos, com uma névoa de incerteza baixando sobre as grandes capitais do mundo.
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Abaixo seguem fotos famosas das das guerras onde os americanos entraram e a censura ficou de fora.
1965. A revista Life mostra a foto de um prisioneiro do exército americano sendo levado para interrogatório. Geralmente eram entregues aos militares sul-vietnamitas, que além da tortura costumavam executá-los sumariamente. Os leitores do mundo puderam saber de tudo isso.
1967. Um coronel do exército sul-vietnamita executa a queima-roupa um suspeito de ser terrorista, durante combates de rua em Saigon. A foto provocou tal comoção na América que iniciou os protestos da população contra a guerra. O mundo todo viu essa foto.
1968. Homens, mulheres e crianças sul-vietnamitas da aldeia de My Lai executados por soldados americanos, num massacre que marcou o exército americano para sempre. A população dividiu-se completamente, com a maioria exigindo o fim da guerra. Jovens americanos chamados para o serviço militar passaram a fugir para o Canadá.
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Abaixo, fotos da guerra do Iraque, cuja invasão final aconteceu em 2003 e onde a censura entrou junto com as tropas.
Guerra do Iraque, sem data. Soldado americano socorre colega gravemente ferido após combates com os insurgentes iraquianos. Apesar da máquina militar americana ser de uma potência esmagadora, estão longe de terem tornado o Iraque seguro. O grande receio dos censores militares é o aumento do questionamento da guerra.
Prisão de Abu Ghraib no Iraque, sem data. Militar americano tortura prisioneiro iraquiano, atiçando um cão de guarda contra ele. As demais fotos, levadas para fora de forma clandestina deixaram não só o governo como o exército americano em situação insustentável. O mundo todo viu.
Guerra do Iraque, sem data. Embarque dos corpos de soldados americanos mortos no Iraque. Com uma média de 3 mortes por dia, com os atentados e combates tipo guerrilha efetuados pelos insurgente iraquianos, o exército americano não tem como proclamar uma vitória definitiva. Censores militares procuram evitar fotos assim, mas não tem como impedir que os próprios soldados façam as fotos.
Guerra do Iraque, sem data. Criança iraquiana morta após ação das forças americanas é carregada por um morador local. Os censores militares sabem do impacto e questionamentos que fotos assim levantam. Mas o mundo acaba vendo.
Osama Bin Laden, sem data. Em local ignorado, vivo e por vezes aparecendo em vídeos exortando seus seguidores a continuarem com atentados pelo mundo, onde pudessem atingir os americanos e seus aliados. Fotos e vídeos assim o governo americano sempre fez questão de mostrar e difundir da forma mais completa possível. Justificava qualquer guerra.
O quadro negro acima seria a foto de Osama Bin Laden morto em 02 de maio de 2011, em sua casa em Abottabad, no Paquistão. Não faltam informações de data, hora e local, tudo fornecido pelos comunicados do governo americano após terem anunciado ao mundo o feito. Segundo o porta-voz da Casa Branca, as tropas especiais transmitiram ao vivo para o presidente americano e seus assessores toda a ação, do momento da chegada, invasão e morte de Bin Laden, até o momento em que decolaram com o corpo dele. Dos 40 minutos filmados da ação, um só segundo que fosse mostraria a imagem de Osama Bin Laden morto.
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Mas segundo a Casa Branca, a foto teria o efeito de acirrar o ódio dos radicais e seria uma visão chocante para as pessoas do mundo todo. Depois de tudo que o mundo já viu e continua vendo das guerras passadas e da guerra atual, nenhuma outra justificativa poderia ser tão desastrada e tão forçada.
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Porque tendo sido filmada toda a operação, ao verem a foto de Bin Laden morto, jornalistas e o público passariam a exigir a curta sequência dos momentos em que Bin Laden estava para entrar na linha de tiro e de quando foi atingido.
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Alguns jornalistas também iriam querer algumas cenas dos momentos em que os helicópteros militares chegaram e aterrissaram no quintal da casa dele. Apenas para verem como tudo isso, todo esse barulho não despertou a atenção das sentinelas da academia militar próxima da casa de Bin Laden. Helicópteros, tropas de assalto, tudo isso durante 40 minutos e toda uma academia militar dormia como se nada acontecesse. É mesmo intrigante.
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Com a narrativa já pública de que uma das mulheres de Bin Laden teria entrado em sua frente tentando protegê-lo, fica mais do que claro que ele poderia ter sido capturado vivo e levado para julgamento. As revelações que ele poderia fazer sobre seus contatos no Ocidente, bancos que movimentaram seu dinheiro para uso de seus agentes, compras de material bélico com mercadores de armas, movimentações de serviços secretos, tudo isso poderia trazer verdades atordoantes.
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E com todas as possibilidades de tantas revelações, o mesmo soldado supertreinado que o colocou na linha de tiro do seu fuzil, não hesitou em matá-lo.
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Osama Bin Laden, a testemunha mais arrasadora de tudo o que aconteceu desde 11 de setembro de 2001 morreu assim. As tropas especiais que são treinadas para tomarem de assalto o esconderijo de um terrorista e levá-lo preso para interrogatório e julgamento desta vez fizeram outra coisa. Junto com o corpo de Bin Laden, jogaram no fundo do mar todas as verdades que ele conhecia.

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É só examinar a ação como um conjunto de decisões do alto comando militar e político americano e as conclusões e opiniões marcam o que foi decidido com uma cor de suspeita, numa ação que se nota claramente que foi mais uma queima de arquivo do que uma tentativa de prisão.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

P68 O homem das cavernas vence

Por vezes republicações de textos anteriores se adequam a acontecimentos atuais. Em recente ação no Paquistão, tropas especiais dos EUA conseguiram enfim alcançar e executar Osama Bin Laden. Há 10 anos sempre fora do alcance dos seus perseguidores, fica realmente difícil crer que um país como o Paquistão, de maioria islâmica, que tendo atingido a capacidade de fabricação de armas nucleares teve que montar um serviço secreto à altura disto para saber o que se passava dentro e fora de suas fronteiras, tenha sido enganado assim tão facilmente por um terrorista tão conhecido naquela região. Por outro lado, numa vitória tática espetaculosa mas de nenhum ganho real, analisado o acontecimento e seus desdobramentos, a longo prazo em termos estratégicos os americanos saem perdendo. Será para sempre a ação militar que mais comentarão e ao mesmo tempo mais tentarão esconder, tamanha a quantidade de desmentidos, novas versões e ocultamento de fatos. Tivessem eles levado Bin Laden como prisioneiro para um justo e incontestável julgamento nos EUA e até mesmo os islâmicos mais radicais teriam ficado sem argumentos. Mas Bin Laden sabia demais. A aparente vitória americana foi no fundo uma queima de arquivo. Os SEALS, hoje apresentados como super-heróis, já tiveram reveses sérios no Afeganistão, da mesma forma que as tropas especiais SPETNAZ soviéticas quando lá estiveram.
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Os americanos anunciaram ao mundo e a todos os radicais islâmicos que alcançaram e executaram aquele que era considerado pelos núcleos de fanáticos mais radicais o maior exemplo de combatente contra o poder americano. Pior ainda, com as versões dos altos funcionários da Casa Branca em contradição, a liberação para a mídia de vídeos de Bin Laden em que o áudio foi retirado alegando-se razões de segurança e por fim a desastrosa justificativa do governo americano de que a foto de Bin Laden morto traria apenas o ódio desses mesmos fanáticos, como se matar Bin Laden fosse até perdoável por esses radicais e publicar a foto é que os deixaria cheios de ódio. Na história das operações militares poucas vezes surgiu uma justificativa tão desastrada, que mostra apenas que o governo americano, feita a execução, tenta ocultar tudo o que for possível. E de resto confiar no gradativo esquecimento do caso. Enquanto isso todos cantam o hino nacional e depois olham em volta, com medo de tudo.
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Agora é tarde, mas tivessem realmente os americanos sequestrado e levado Bin Laden para ser julgado nos EUA como os israelenses fizeram com o carrasco nazista Adolph Eichmann em 1962, sequestrado na Argentina, levado para Israel e julgado e enforcado, o mundo poderia ter sabido de viva voz por Bin Laden, quem lhe teria sido útil ao perpetrar seus atentados facilitando suas transferências de dinheiro mundo afora, suas compras de material bélico de mercadores de armas e contando ainda com a omissão ou discreta ajuda de governos e serviços secretos em suas movimentações. Aí sim os americanos teriam tido uma vitória tática e estratégica.
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Hoje muita gente pertencente a esses governos e serviços dorme em paz, com suas carreiras e liberdade asseguradas pelo inestimável serviço que lhes foi prestados pelas tropas especiais americanas, que ao invés de manterem viva a maior testemunha de tudo, simplesmente a mataram e com ela jogaram no fundo do mar todas as verdades que ela conhecia.
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Texto publicado originalmente em 13.12.2010 no Oitavo-Dia
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O homem das cavernas vence
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Há séculos sempre atirando...
O máximo possível pouco falada ao mesmo tempo em que suas vítimas são lembradas no mínimo de linhas dos jornais, segue a intervenção militar no Afeganistão, país declarado culpado pelos americanos pelos atentados de 11 de setembro de 2001. Causa um certo desconforto nos EUA e na Europa a guerra para a "construção de um estado democrático" no desconhecido país que aos cidadãos americanos pouco interessa e aos cidadãos europeus menos ainda. Mas nesses tempos em que vemos as primeiras guerras minerais, por assim dizer, disfarçadas com o apelido de "construção da democracia", um barril de petróleo, um metro cúbico de gás e um quilo de urânio valem seu preço em vidas, pelo menos no pensamento dos estrategistas americanos e europeus, coisa que passa despercebida para os milhões de habitantes que desfrutam do confortável nível de vida dos países ocidentais.
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Já com suas reservas próprias à beira do esgotamento e vendo a Rússia com jazidas minerais em que nada nada falta e pior ainda se reerguendo sob as diretrizes ainda presentes de Vladimir Putin, como num espectro da antiga União Soviética, os estrategistas ocidentais tiveram motivos de sobra para ao mesmo tempo em que colocaram bases militares no Afeganistão e Iraque cercando o Irã, fazerem frente a qualquer movimento russo no Oriente Médio, já tendo assim terminado a segunda etapa do plano levado a cabo em 1991, quando deram sinal verde para o Iraque invadir o Kwait para depois terem o pretexto para a chegada em larga escala de suas tropas no Oriente Médio, coroando com êxito o plano que começou com Henry Kissinger colocando tropas americanas em exercícios militares com tropas egípcias na distante década de 1980. Tudo em nome da "boa vontade entre os povos" e contra as pretensões do urso soviético, que depois de um período lambendo as feridas volta como urso russo, mas urso do mesmo jeito.
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Sofisticado e bem educado, equipado com as melhores armas e sustentado por uma rede de satélites que o informam de tudo, assistido com sistemas de transporte por carros blindados e helicópteros e apoio aéreo de aviões de combate, com o corpo protegido por uniformes especiais, o soldado ocidental civilizado está muito à frente dos seus oponentes. Ainda assim não consegue entender porque homens calçados com sapatos comuns ou chinelos de couro, usando uma túnica de beduíno, carregando apenas fuzis AK-47 e antiquados foguetes russos RPG-7, sem transporte e andando quilômetros a fio sob o sol do deserto durante dias e dias ou a noite em temperaturas próximas de zero, ainda está sempre em seus calcanhares, inflingindo danos consideráveis aos que se julgam civilizados.
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Um exemplo disso foi o confronto de uma unidade de 4 soldados de uma divisão de elite americana SEAL em um missão de busca, que cercada por um grupo de guerrilheiros talebans lutou a noite toda com eles matando, segundo seu relato, uns 40, sendo que no final três americanos estavam mortos, o sobrevivente já bem ferido ainda conseguiu se esgueirar por uns 10 quilômetros até chegar o socorro, um helicóptero Chinook com 16 soldados prontos para o combate. Não precisaram esperar muito. Sabendo que o resgate chegaria, os talebans estavam esperando com um foguete RPG-7 que derrubou o helicóptero matando todos os ocupantes. Veículos blindados resgataram o soldado ferido. O custo do lado ocidental foi de 19 soldados mortos, um helicóptero de 20 milhões de dólares derrubado, fora o tratamento para o sobrevivente. Para o lado afegão, alguns fuzis AK-47 perdidos, um foguete RPG-7 muito bem aproveitado, magros auxílios pagos para as famílias dos mortos, fervorosos adeptos da morte em combate, tudo por aproximadamente uns 10 mil dólares e claramente uma vitória contra os ditos civilizados.
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Não custa relembrar que os afegãos receberam generoso financiamento, treinamento e equipamento dos serviços de informação militares americanos quando combatiam contra os russos. A tal ponto aquela guerra se tornou insuportável para eles que os russos viram que apesar de ocuparem todo o território afegão, nunca estavam a salvo das devastadoras investidas por parte dos guerrilheiros afegãos. Foram embora em 1989, depois de 10 anos de perdas e hoje veem pelos noticiários o mesmo acontecendo com as tropas do Ocidente. Claro, os afegãos tem um bom dinheiro para irem às compras de equipamento russo. Fundos dos tempos em que os militares americanos batiam em seus ombros e os chamavam de "amigos" e dinheiro até mesmo da extinta companhia de energia Enrom que pagou vultosas somas aos talebans para que suas pesquisas de jazidas minerais ficassem intocadas foram zelosamente guardados pelos talebans, que mesmo com seu atraso de pensamento, são austeros e ascéticos, enquanto que os ocidentais preferem contar com líderes medrosos e de moral duvidosa, como no atual comando do Afeganistão.
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Alguns analistas ocidentais previam tais tipos de guerras em seus estudos de meados de 1960, quando verificavam que o esgotamento das jazidas de petróleo e minerais estratégicos iria criar sérios obstáculos aos países ricos para manterem sua atividade industrial e o elevado padrão de vida de suas populações, ainda por cima tendo de fazer frente contra a temível União Soviética da época. Hoje com todos os minérios de que precisa para qualquer eventualidade em seu território ou fora dele, refeita depois da queda do império soviético e em franco rearmamento, a Rússia, seguindo as diretrizes de Vladimir Putin não é propriamente o tipo de que os ocidentais possam dar tapinhas nos ombros e chamar de "amiga" como fizeram com os afegãos, que de resto já sabiam que alí não existia amizade nenhuma. Os russos não são ingênuos e nem os afegãos o foram na época. Apenas precisavam do dinheiro, do equipamento e do treinamento que hoje os auxilia na guerra contra quem um dia se disse "amigo". Seria bem melhor se os ditos civilizados tratassem de repensar no âmbito político e militar a forma como se portam no mundo atual. Por mais bem abastecidos que sejam seu arsenal e seus soldados eles dependem de quintais alheios e a continuar esse modo de coexistência nada pacífica, vão terminar sem munição e pior ainda, na terra do homem das cavernas.

domingo, 24 de abril de 2011

P67 Egípcios não jogam futebol

Vendo os noticiários sobre a piora da situação na Síria e me lembrando de um texto que publiquei no bilogue "Oitavo-Dia", onde colaborei até seu término recente, achei que ele se encaixa na análise de certos acontecimentos atuais no Brasil.
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Enquanto os árabes experimentam revoltas atrás de revoltas com resultados significativos na deposição de regimes apodrecidos e que começaram com a queda do regime egípcio, o povo brasileiro já se mostra anestesiado bem antes do tempo pela esperta trama que foi a do ex-presidente Lula em conseguir a indicação do Brasil para sede da Copa de 2014 e das Olímpiadas de 2016, provocando urros de uma multidão perdida na ignorância dos imensos e inúteis custos que isso vai causar, com significativo proveito na época, da candidatura de Dilma Roussef, que cooptando ontem e hoje aventureiros e mercadores políticos, endossou plenamente esse absurdo sem sentido num país carente até mesmo de saneamento básico. Ao mesmo tempo os acertos secretos de empreiteiras e governo para a construção do inútil trem-bala ao custo de 50 bilhões de reais andam mais depressa do que o próprio trem. Se Lula trabalhou de um lado, sabe-se lá o quanto empresas estrangeiras trabalharam do outro para esse resultado.

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Parecendo aqui adepto de outro partido, sempre deixo claro que é o sistema político brasileiro atual, como um todo, seja lá qual partido represente é que está totalmente apodrecido. Não temos mais esquerda, direita ou líderes políticos autênticos. Temos apenas aproveitadores e corruptos, que às custas do trabalho e sofrimento de um povo mantido na ignorância, constroem enormes fortunas pessoais e deixam como legado apenas os restos de sua miséria política e moral. Deveríamos parar de jogar futebol um pouco que fosse, para nosso próprio bem.
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Caro amigo João
Sim, de fato não sou muito fã desse excesso de textos de futebol e digo isso sem a intenção de desagradar, mas devemos sim prestar atenção a um modo de pensar que deve ser revisto. Os povos latinos tem se notabilizado por essa atitude de um fascínio hipnótico pelo futebol, uma atitude até de bovina admiração por falsos heróis que nada mais fazem do que chutar uma bola de couro dentro de um trançado de barbante. Uma boa habilidade mecânica, um bom condicionamento físico e só. Esses mortais alçados à condição de deuses tem somente isso. Enquanto isso verdadeiros heróis nas mais diversas atividades que mantém uma comunidade unida, que a fazem progredir como coletividade humana, como nação que se destaca no cenário mundial realmente com algo a dizer e fazer no mundo permanecem ignorados, esquecidos. Pelo menos frente a essa multidão que só enxerga uma bola pulando num gramado. Fico em dúvida sobre o que mais atrai a atenção dessas multidões, se a bola ou o gramado.
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E adianta sim exprimir pontos de vista políticos com indignação porque é assim que se agregam os que pensam dessa forma a ponto de influir nos acontecimentos, haja visto os egípcios em seu notável exemplo, que sem nenhum gosto pelo futebol fizeram o que fizeram. O ex-ditador egípcio Hosny Mubarak já deve estar se lamentando ter confiado só na polícia. Se ele pelo menos tivesse pensado em inculcar na mente do seu povo o fanatismo do futebol, sim, estaria a salvo hoje.
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Até mesmo o senso de realizações se dilue no tempo na forma de uma mísera lembrança de glórias que nada mais são do que a repetição incessante de datas de "...quando ganhamos da seleção daquele país...". Que país? "...o mesmo que nos empresta dinheiro e constrói fábricas em nossa terra...". Inverte-se um ditado. Aos "vencedores" as batatas, aos "perdedores" o comando político e econômico de muitas nações. Talvez por isso no meio das torcidas sejam tão abundantes as roupas de palhaço.
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Examinando de um ponto de vista da atividade humana, claro, não só o futebol como os esportes olímpicos são de grande glória, inesquecível mesmo, pelos exemplos que nos mostram, mas de forma alguma devem ser tomados como último e grande apanágio das realizações. Ao que parece aqui no Brasil e vejo também que em Portugal, é assim que o futebol é visto. É um grande erro.
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Como latinos podemos exultar, até mesmo rir de um grupo de americanos que só tem a nos contar como perdem jogo após jogo e podemos mesmo derrotá-los numa partida amigável e ver, que ora essa, são mesmo esforçados mas perderam feio para nós. Terminado o jogo nos despedimos, voltamos para a nossa condição de desempregados, sub-empregados ou futuros emigrantes e ficamos no porto a acenar para o grupo de americanos que embarca no super porta-aviões Carl Vinson. O goleiro é engenheiro nuclear, os zagueiros pilotos dos mais modernos caças de combate, os atacantes que nem sequer ameaçaram o gol controlam a mais moderna sala de armas nucleares. E lá se vão eles, "derrotados", acenando para nós, "vencedores", enquanto amanhã nós tentaremos mais uma vez a fila do consulado americano tentando um visto para emigrar para o país dos "perdedores".
Talvez eu pinte com cores nada agradáveis essa apreciação pelo futebol, mas me parece que de forma um tanto errada, no mínimo condenável, demos atenção demais para isso e geração após geração, pais foram criando uma horda de filhos desmiolados e culturalmente anulados. Vejo isso aqui no Brasil e imagino se não é igual em Portugal. Crianças que voltam da escola e assim que se veem livres do uniforme, se põem na rua a chutar e chutar sem nenhum outro objetivo uma bola velha de couro, numa repetição insana dos seus "heróis". Depois, com um vocabulário mínimo brincam com paus e pedras, sim já regrediram a isso. Em notável contraste, crianças japonesas, coreanas e chinesas também brincam de futebol, mas dão-lhe apenas o valor de um folguedo de momento. Suas brincadeiras favoritas são jogos onde a inteligência é exercitada, os trabalhos como pesquisa nos laboratórios das escolas são valorizados e mesmo desfrutar das belezas da música clássica é coisa que os deixa fascinados. Nós latinos nos acostumamos com berros absurdos em grupo, em sair espancando as pessoas em torcidas organizadas, em viver num torpor alcoólico gritando o nome do time e alguns chamam a isso de paixão. Eu chamo de barbárie.
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O Brasil tem notável marca de incultura e falta de modos, em cenas deploravelmente protagonizadas pelos seus cidadãos, boa parte dessa falta de modos aprendida na histeria coletiva dos estádios. Exatamente por isso, décadas atrás a Argentina se considerava superior aos brasileiros e de fato era mesmo. Hoje o jogador argentino Messi pode vir ao Brasil e ao ser reconhecido num restaurante contar bonitas histórias sobre Maradona na Copa de 1978, quando a Argentina se mostrou uma "potência invencível" até com pretensões hegemônicas sobre a América Latina da época. Mas não vai falar nada da Guerra das Malvinas em 1982, quando a Argentina invadiu as ilhas e a Inglaterra mandou 42 navios de guerra para resolver a situação. As ululantes torcidas argentinas que saíram às ruas gritando como se estivessem dentro de um estádio logo descobriram que seus berros de nada adiantavam contra os aviões Sea Harrier ingleses. Resta saber quantos retratos de Maradona existiam dentro do cruzador argentino General Belgrano, afundado pelo submarino nuclear britânico Conqueror enquanto que o porta-aviões argentino 25 de Mayo ficava ancorado incapaz de enfrentar o poderio nuclear dos ingleses. O porta-aviões terminou desmontado e derretido em estaleiros indianos. Quantos retratos de Maradona existiriam lá dentro? Depois Messi gentilmente pagará a conta com pesos argentinos que foram impressos no Brasil. Sim, este ano o Brasil vai imprimir 50 milhões de cédulas para os argentinos que até isso não sabem mais fazer, mas continuam batendo em bumbos e urrando pelas ruas quando Messi entra em campo. Na vida nacional, um país vendido a multinacionais. Não longe dos estádios, crescem favelas estarrecedoras que não existiam há 40 anos. Que vencedores.
Sobre os russos então podemos falar tanta coisa. Pouco sabem ou pouco ligam para o Dínamo de Moscou. Ligam mesmo é para seu poderio militar, que tendo refeito o mapa do mundo após a 2a. Guerra Mundial, mesmo depois da queda da União Soviética e de um período de fome, voltam a deixar o mundo de respiração presa com Vladimir Putin, que nunca apareceu numa foto dentro de um estádio refazendo suas pretensões de hegemonia na Eurásia. Futebol? Vladimir Putin mal sabe como se chuta uma bola. Sua paixão são tanques e aviões.
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Por fim caro amigo, sem querer ser mal interpretado e muito menos parecer antipático, acho sim que devemos rever certos conceitos de vida, certas idéias de paixão que só tem, na conta final, servido para criar não só multidões, mas nações de desmiolados, incapazes de pensar sobre seu próprio povo, sobre sua própria nação de uma forma diferente que não sejam onze sujeitos chutando uma bola de couro para todos os lados. Alçados à condição de divindades e modelo de vida, são heróis vazios, falsos mesmo. Em Portugal não sei, mas no Brasil, esses falsos deuses, com uma vida pessoal sempre obscura, repleta de histórias policiais, de escândalos e excessos, de envolvimento com bandidos, me parecem tudo, menos heróis. Talvez por isso boa parte do povo brasileiro esteja assim, maltrapilho e ignorante, vestindo-se como um dos seus "heróis", chamado Rei do Roma, que quando não está em público seminú, aparece investigado em fotos onde abraça traficantes. Esse é o modelo de herói? Eu duvido.
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Herói mesmo é um homem como Deng-XiaoPing, que sobrevivendo na China aos expurgos da era de Mao-Tsé-Tung, levou até o fim, quase morrendo por isso, seu plano de uma China moderna e capaz de influir no cenário mundial. Implantando com mão de ferro as diretrizes de educação básica, média e superior e da economia, Deng não viveu o suficiente para ver a China que idealizou e que hoje muda o mapa do mundo. Uma China que ainda tem preservado como museu o clube onde os ingleses colocaram uma placa proibindo a entrada de cães e chineses e foi o mesmo Deng que viu isso que disse a Margareth Tatcher em 1982 que ele preferia ver Hong-Kong arrasada militarmente se não fosse devolvida aos chineses. Ele disse isso para a mesma Margareth Tatcher que naquele ano derrotava a "potência" argentina, mas que vendo o poder nuclear chinês traçou o plano de devolução da ilha para a China. Em 1997, um descendente dos ingleses que haviam comparado os chineses a cachorros arriou a bandeira inglesa do mastro e saiu chorando enquanto a bandeira chinesa subia vitoriosa. Deng-XiaoPing mal sabia que forma tinha uma bola de futebol ou como era jogado esse jogo, coisa de nações menores. E mesmo assim, convenhamos, com tudo o que ele fez pelo seu povo, isso sim foi um gol de placa. Por gente assim, por movimentos coletivos assim, aí sim vale a pena ser fanático. -
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