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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

P95 Os dois martelos

Dependendo de quem você é, ele bate diferente...
Você é um cidadão comum, sem dinheiro, sem amizades na
política, no judiciário ou coisas do tipo? Então o martelo da
justiça bate forte em você.
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Infelizmente é assim que as coisas são no Brasil e continuarão sendo por um bom tempo, até que uma mudança radical realmente coloque esse país nos devidos eixos da civilização. O cidadão que gosta de política, que se preocupa com os rumos do país é obrigado assim a estudar e reestudar as relações políticas e sociais sob as quais o brasileiro comum sofre injustiças sem conta.
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Por conta disso, apesar da figura nitidamente autopromocional da advogada Ana Lúcia Assad que defendeu o réu confesso Lindemberg Alves, assassino de sua namorada Eloá Pimentel, ao sequestrá-la e mantê-la presa durante cinco dias em 2008, tem valor a frase que ela disse durante uma altercação com a juíza. Ou seja, de que a juíza Milena Dias deveria voltar a estudar. Deve sim. Não a ciência do Direito, que ela deve conhecer bem, mas sociologia e política, para entender melhor esse país e quem sabe, conseguindo atingir um patamar mais alto na carreira, efetivamente tentar mudar as coisas para melhor.
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A própria juíza Milena disse ao proferir a sentença "que a sociedade espera que os juízes se libertem do fetichismo da pena mínima" o que é plenamente justificável, desde que uma revolução mude todo o ordenamento jurídico, político e social do país. De outra forma, apenas os que não contam com nenhuma amizade dos círculos políticos, judiciários e financeiros é que continuarão sendo duramente sentenciados. Aí nesse ponto o que a advogada disse faz sentido, a juíza deveria voltar a estudar. Os cinco dias do sequestro e agonia de Eloá
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Lindemberg foi até a casa de Eloá para tentar reatar o namoro, não se conformando com o rompimento. Foi armado e premeditou a violência que se seguiu. Ao que tudo indica premeditou o crime bem antes de levá-lo a cabo. Não foi coisa de um momento de loucura. Foi com a intenção clara de fazer o pior se recebesse uma negativa. Depois do desfecho do sequestro, foi retirado pela polícia aos pontapés, coisa bem justificável até pelo calor da ação. Dalí foi levado para a cadeia, o popular "cadeião", onde ficou até seu julgamento e para onde retornou depois de receber a sentença de 98 anos de prisão. Na época, na sequencia do crime, Lindemberg foi completa, exaustiva e repetidamente dissecado pela mídia. Além do mais o preso era pobre, morava em conjunto habitacional da periferia e suas melhores relações sociais eram no máximo com os amigos do boteco do quarteirão.
Preso e merecidamente espancado pela polícia. Nesses casos é
até parte normal da reação humana
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Bem semelhante em cores, motivação e premeditação ao crime cometido pelo ex jornalista Pimenta Neves em 2000, que na época era diretor de redação do jornal "O Estado de São Paulo", caso providencialmente citado pela advogada de Lindemberg. Depois de um conturbado romance com a jornalista Sandra Gomide que trabalhava com ele na redação e não aceitamento o rompimento da relação, Pimenta Neves foi armado até o haras onde Sandra praticava equitação, tentou a reconciliação e com a negativa de Sandra, simplesmente disparou uma primeira vez pelas costas da jornalista que tentou fugir, aproximou-se dela caída e disparou decidido mais uma vez contra a cabeça.
Sandra Gomide ainda tentou fugir e não teve chance de defesa
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Em tudo igual ao que Lindemberg fez, a premeditação, o desejo de matar e dois tiros. Mas algumas coisas fizeram a diferença para que Pimenta Neves pudesse ter entrado em seu carro, fugindo do local tranquilamente, apresentando-se alguns dias depois acompanhado de advogados à justiça, ficando então então preso por sete meses. Em 2001, conseguiu um Habeas Corpus e ficou em liberdade até seu julgamento em 2006, quando foi condenado a 19 anos de prisão e ainda teve o privilégio de sair bem solto pela porta da frente, já que ao mesmo tempo em que foi condenado, recebeu o benefício de recorrer em liberdade. Para Lindemberg nada disso foi possível.
Pimenta Neves vai preso em 2011 para cumprir sua pena
depois de 5 anos de recursos e adiamentos.

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Depois de recorrer por 5 anos, em 2011, Pimenta Neves enfim foi cumprir sua pena na prisão, mas com os benefícios a que tem direito, juristas famosos acreditam que ele ficará preso no máximo 2 anos. É aí que as diferenças aparecem, apesar das semelhanças do crime dos dois. Lindemberg é pobre e não tinha amigos influentes. Saiu preso aos pontapés, ficou preso o tempo todo, a mídia o expôs sem piedade, médicos o chamaram de psicopata, ele não pôde recorrer em liberdade e saiu do tribunal direto para a prisão.
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Pimenta Neves era um dos diretores de um dos jornalões mais influentes do Brasil, tinha um círculo de amizades nos meios político, judiciário, midiático e na alta sociedade em geral. e tinha uma boa situação financeira. Pôde se apresentar sem que nenhum guarda lhe desse um empurrão que fosse, médicos atestaram "sua condição de fragilidade emocional", a mídia tentou falar o mínimo possível do seu crime, quase o abafando e tratando sua figura de forma respeitosa, conseguiu um Habeas Corpus, foi condenado e pôde recorrer durante 5 anos em liberdade e agora talvez cumpra apenas 2 anos de sua pena, talvez menos.
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É nessas situações que o martelo da justiça bate de forma branda, calma, quase como um tapinha nas costas. Depende de quem você conhece e de quanto dinheiro tem na sua conta bancária.
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Dentre os milhares de casos de um sistema de injustiça legalizada, estabelecida e já adotada como uma tradição, mais que tradição, um requisito obrigatório para os que querem seguir a carreira jurídica, fica até difícil não citar o caso dos precatórios. E se fôssemos citar tudo o que acontece no meio político, social e jurídico do Brasil daria um tratado para os cientistas políticos do mundo todo tentarem entender melhor o Brasil e ainda por cima resultaria numa revolução, se plenamente conhecido pelo povo, que mesmo assim já dá sinais disso.
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Os famosos precatórios que muitos ouvem falar mas não entendem muito, resultam das dívidas impagáveis que tanto o governo federal como os estaduais e municipais durante décadas fizeram contra os cidadãos comuns, atingidos por desapropriações, sonegação de direitos e inadimplência oficial e assumida contra os legítimos credores do estado político e judiciário brasileiro em todas as suas instâncias.

Velhinhas do Rio Grande do Sul tricotam na frente da sede do governo em protesto contra o não pagamento dos precatórios. E vão morrer desse jeito, pois a resposta do sistema político brasileiro foi a aprovação da PEC 12 em 2009, que tornou praticamente impossível o cidadào credor receber o que deve dos governos.
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Em relação à dívida dos precatórios, a grande movimentação do sistema político brasileiro e com a concordância de todos os partidos, excetuando-se os que publicamente discursaram contra, mas apenas fingindo que não concordavam com isso, foi a votação de mais uma proposta de emenda constitucional, a hoje conhecida PEC 12/2009 que permite aos governos devedores, na prática pagarem quanto, quando e se quiserem, alguma parte do que devem aos seus credores, cidadãos lesados pelos seus próprios governos. Mais de 100 bilhões de reais assim devidos a brasileiros prejudicados ou mesmo vítimas de estelionato estatal, ficaram relegados ao mais completo abandono tanto político quanto jurídico.
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A história do Brasil vai registrar para eterna vergonha do nosso judiciário que os mesmos juízes que se insurgiram em massa pelo aumento dos seus próprios salários em 2003, ameaçando até mesmo tornar o Brasil ingovernável, se calaram completamente frente a este verdadeiro assassinato do que podemos chamar de moralidade pública, tão pomposamente descrita no artigo 37 da Constituição, chamada pelos mesmos juízes de "guardiã dos interesses do cidadão brasileiro".
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Bem, dependendo de quem esse cidadão conheça e dos círculos a que pertence, seus interesses serão defendidos mesmo.
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Enquanto as velhinhas de Porto Alegre tricotam em protesto contra o não pagamento dos precatórios, enquanto mais de 50 mil credores já morreram na fila sem receber nem um centavo do que tinham direito, a justiça brasileira não parece preocupada com a defesa do artigo 5 da Constituição, que diz que "todos são iguais perante a lei, sem distinção de espécie alguma" e onde se garante também o direito dos cidadãos à segurança, à propriedade e a tantos direitos que é simplesmente injustificável que enquanto milhares de cidadãos decentes tenham morrido esperando pelos seus direitos, dois cidadãos indecentes tem plenamente garantidos seus altos salários e privilégios, mesmo tendo se envolvido premeditadamente em um crime contra a nação brasileira.
Leonardo Bandarra, ex procurador de justiça e a promotora Deborah Guerner, mesmo denunciados como réus pelo Tribunal Reginal Federal, continuarão recebendo seus salários por decisão de Gilmar Mendes do STF
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Envolvidos no escândalo do mensalão do Distrito Federal em 2009, o ex procurador de justiça do Distrito Federal Leonardo Bandarra e a promotora Deborah Guerner acabam de receber agora em fevereiro de 2012 sentença favorável do juiz Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal, o famoso STF, garantindo a eles por liminar deferida, o pagamento dos seus salários. Um ex procurador de justiça, ao que tudo indica deveria zelar pela justiça, uma promotora, ao que tudo indica também deveria zelar pela proteção da sociedade brasileira. No entanto foram condenados em 2011 pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 1ª Região e tornaram-se réus no processo de extorsão contra o ex governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, também implicado no escândalo do desvio de verbas.
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Enquanto verdadeiros celerados investidos de cargos públicos usam a magistratura como uma verdadeira arma contra a nação e terminam protegidos por uma justiça que se rege cegamente e sem protestos por leis injustas e redigidas especialmente para a proteção de criminosos oficiais, milhares de cidadãos que sempre cumpriram com seus deveres, foram literalmente abandonados à morte por essa mesma justiça.
Para bater como um malho ou bater como um tapinha nas costas, tudo depende da posição política, social e jurídica do cidadão
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Dependendo de qual círculo jurídico ou político um cidadão pertença e dependendo de quem esse cidadão conheça, a espada da justiça torna-se um verdadeiro guarda-chuva para ele.
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E uma espada bem pesada para os cidadãos desfavorecidos e pobres.
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Isso seria de grande proveito não só para a juíza, mas sim para todos que querem um Brasil melhor, estudar e reestudar o tempo todo.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

P90 Em quem você acredita e confia

Se você confia, você faz o que quer...
Com a declaração pública do juiz Ricardo Lewandowski, membro do Supremo Tribunal Federal, de que penas de réus do mensalão poderão prescrever, fica assim estabelecida de forma pública e inconteste a incapacidade da justiça brasileira de punir os corruptos com grande influência política. Se não é publicamente desejada como um ordenamento natural do judiciário brasileiro, ao menos essa incapacidade é tacitamente aceita pelos seus membros.
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E assim os corruptos brasileiros, que fazem de ministérios e governos estaduais e presidenciais entre outros, o bilhete premiado de suas vidas às custas da riqueza do Brasil sorriem, já que a declaração pública do juiz deixa clara a aceitação dessa tradição política e jurídica de impunidade providenciada por quem deveria punir os corruptos.-
E por estes tempos, os exemplos de que a leniência com a corrupção se torna indistinguível de uma ação decidida a favor dela foi vista na decisão do juiz Cezar Peluso do mesmo STF quando deu seu voto favorável ao retorno de Jáder Barbalho ao senado. Jáder que havia sido barrado por seu envolvimento em inúmeros casos de corrupção, agora retorna ao Senado graças ao voto favorável do juiz Cesar, onde conta com amigos como Renan Calheiros, José Sarney e outros mandatários da política nacional, que tem em sua história somente o envolvimento em episódios nebulosos ou vergonhosos da vida nacional e o de viverem em extremo luxo e riqueza em seus estados, que são da região nordestina e secularmente mergulhados na miséria para atenderem às dinastias políticas que os governa e da qual são descendentes e continuadores.
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A lei da Ficha Limpa havia sido criada para deter certos personagens em suas tentativas de reassumir o poder. Ora, posto o incômodo julgamento na frente de todos, violenta-se a lei e ponto final, já que não existia outra alternativa. O povo, indignado num primeiro momento, sucumbindo aos inúmeros problemas do dia a dia e além mais prestes a submergir em novas e catastróficas inundações, nada pode fazer a não ser esquecer e seguir em frente em seu dia a dia sofrido.
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A consciência de cada cidadão num julgamento o leva a entender que em muitos casos prevalece sobre a lei a defesa do patrimônio público, do bem estar e da segurança de uma coletividade de milhões de pessoas, quando a demanda de um membro dessa coletividade, julgada num tribunal, coloque em risco exatamente o que se pretende defender, no caso o direito à segurança e justiça de milhões de pessoas. Qualquer juiz analisando sob este ângulo e tendo em vista a vida passada do demandante, sempre evolvido em atos de corrupção que afetaram gravemente não só a segurança mas também o direito desses milhões de pessoas, decide, se for lúcido e coerente com princípios mais altos de justiça, a favor da sociedade como um todo e o passado criminoso desse demandante torna-se então a principal testemunha de acusação contra ele. Porém aqui vimos acontecer o contrário.
Assim, com as declarações do juiz Lewandowski e com os votos de seu colega, vê-se com clareza que os conceitos abstratos de corrupção e impunidade desfrutam de existência material para muitos círculos políticos e judiciários brasileiros. E o que é pior, esse conceitos assim alçados à condição de membros desses círculos, desfrutam também de prerrogativas como habeas corpus e foro privilegiado.
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É uma decisão que em última análise leva os corruptos do Brasil a entenderem que nada mais impede suas ações. Talvez venha a ocorrer uma prisão, um imprevisto momentâneo, mas a impunidade está garantida, senão por uma bem sucedida e milionária fraude perpetrada em posições administrativas da vida pública, ao menos pela notável lerdeza dessa mais alta corte em analisar e julgar os processos. Convenhamos. O ordenamento jurídico parece ter sido feito sob medida para isso. Enquanto o tempo de análise dos processos caminha lentamente, como um velho vergado pela idade, o tempo de prescrição desses mesmos processos corre com a velocidade de um maratonista.
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É assim, finalmente, que depois da declaração pública do juiz, que vemos como os corruptos se dão bem neste país. Em todos os países onde o ordenamento jurídico é civilizado e as punições a esses políticos são rápidas e impiedosas, mesmo assim corruptos existem, porém vivem em sobressalto. Assaltar o dinheiro público pode ser rendoso, mas é certeza de punição, de perda dos bens, de longos anos na prisão. Assim os corruptos nesses países confiam acima de tudo em seus planos de fuga para outros países, de troca de identidade, de viverem a partir daí uma vida dupla, oculta, com o risco de a qualquer momento serem descobertos.
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Já os corruptos brasileiros nem sequer pensam nisso. Pensam apenas em escolher uma praia próxima de suas novas residências depois que tudo acabar, onde viverão em residência sabida e conhecida de todos. Afinal, até por dever do ofício de corruptos sempre souberam do que o juiz Lewandowski fez questão de confirmar publicamente.
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Um exemplo é Marcos Valério, um dos envolvidos no escândalo do mensalão. que preso por esses dias pela Polícia Federal denunciado em grilagem de terras, mostrou durante a prisão um ar de enfado, de tédio mesmo, sabendo que aquilo era só um contratempo e logo ele seria libertado. Depois, entrevistado pela imprensa ao ser libertado, Marcos Valério exprimiu numa simples frase o que lhe dá a segurança de viver sempre envolvido em corrupção:
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"Eu confio na justiça."
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Com essa singela declaração, ele deixou claro no que os corruptos desse país mais acreditam e confiam ao darem seus golpes.
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Acreditam e confiam acima de tudo na justiça. E de que outra forma poderiam se dar tão bem?



domingo, 14 de agosto de 2011

P78 Galeria de tiro

Mesmo na linha de tiro, há quem lute até o fim...
No último dia 11 a juíza Patrícia Lourival Acioli terminou assassinada com vários tiros de armas calibre .40 e .45 quando retornava para sua casa em Niterói no Rio de Janeiro. Titular da Vara Criminal de São Gonçalo, era conhecida pelo rigor com que julgava e sentenciava criminosos como policiais envolvidos com milícias no Rio de Janeiro. A juíza tratava esses criminosos sem perdão. Julgamento rápido, rigor na inquirição dos réus e maior rigor ainda na condenação. Para ela era simplesmente imperdoável que agentes da lei tivessem decidido seguir o caminho do crime e por isso mereciam as penas mais severas. Seu nome estava incluído numa lista de nomes de magistrados a serem executados.
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Enquanto seu carro todo furado de balas ainda era periciado, baixava à sepultura o corpo da juíza, mais uma magistrada que realmente deu valor e vida ao seu juramento como defensora da sociedade e do cidadão comum e que investindo com seu rigor condenatório contra os criminosos que viessem a cair sob sua pena, caiu sob as balas dos seus inimigos. Inimiga jurada de morte pelas milícias, em momento algum se deixou intimidar pelas ameaças que recebeu. Com toda coragem continuou seu trabalho. Facilitou o trabalho dos assassinos ter sido deixada à mercê da sua sorte pelo poder público, hoje largamente mancomunado com essas milícias.
Após seu assassinato, como era previsível os jornais e noticiários da televisão foram tomados pelos manifestos adequadamente consternados de diversas entidades. É de se perguntar o que vão fazer. Nada além de ficarem encolhidos de medo pela formidável aglomeração de criminosos em se tornou o poder público nos dias de hoje.
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Temos um executivo omisso que se importa mais com as fotos de corruptos envolvidos em desvio de recursos expostas no jornais, um legislativo que em parte considerável deve o dinheiro de suas campanhas eleitorais ao poder do crime organizado e um número inquietante de magistrados que quando não estão envolvidos em atos de corrupção, já entenderam o recado, ou seja, não condenar ninguém das milícias. Quem fizer isso morre, quem fizer de conta que não está vendo nada, continua vivo. É só não aborrecer o crime organizado com suas sentenças.
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Se ficar vivo significa ser leniente com esse estado criminal, é isso que vão fazer a não ser os poucos corajosos que honram sua missão de magistrados e defendem o cidadão e a sociedade a qualquer custo contra o crime, até mesmo com o custo de suas vidas. Esses são os idealistas e corajosos, hoje praticamente abandonados numa galeria de tiro onde os criminosos periodicamente vem abater os alvos que os incomodam, enquanto que os outros membros da dita sociedade representativa ficam encolhidos de medo atrás do estande de tiro.
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E como usual, a cada acontecimento desse tipo vemos o habitual teatro de marionetes em marcha. Num completo quadro de desagregação, intelectuais e artistas vão continuar organizando marchas e eventos. Pela liberação das drogas e é claro, pelo desarmamento do cidadão, para que ele fique tão indefeso quanto a juíza.
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Um dos exemplos do esquecimento que vai se abater sobre a memória da juíza é o monumento à corrupção que existe no Rio de Janeiro, a infeliz Cidade da Música que já consome quase 500 milhões de reais, 5 vezes mais que o valor inicial da obra e nenhum membro dessa sociedade fez alguma coisa para impedir isso. Ou não pôde, pelas leis em vigência, o que de qualquer forma apenas mostra sua impotência. Esse é apenas um exemplo. Milhares de outros existem pelo Brasil afora e sabe-se lá quantos no Rio de Janeiro. Com apenas uma fração do valor gasto nessas obras, os juízes dedicados, leais e decentes teriam uma tropa especializada para unicamente cuidar da sua proteção e reprimir com extrema e necessária violência o crime organizado, o que é legítimo e certo num combate entre o crime e a sociedade. Defender uma resposta violenta a esses atentados do crime organizado nada tem de errado. Atos deliberados de extrema violência contra mandantes ou subordinados do crime em represália aberta aos criminosos através de expedições punitivas abertas ao conhecimento público teriam um efeito salutar e por assim dizer profilático.
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Diminuiu o número de juízes e policiais decentes e defensores da sociedade por terem sido executados pelo crime organizado? Sem problemas. Uma bem preparada coluna de busca, captura e execução de bandidos daria o troco imediato. Logo os mandantes do crime organizado veriam baixas consideráveis em suas fileiras, pior ainda, que qualquer atentado contra defensores da lei ou cidadãos teria um custo muito caro para eles. Hoje o que vivemos é o inverso.

Pior ainda, logo estarão todas atenções voltadas para a espantosa Copa de 2014, outro monumento da estupidez e da corrupção que nos foi legado pelo governo anterior em sua ânsia de busca por holofotes da imprensa nacional e internacional que dessem realce à figura do seu sucessor, com o objetivo único de agregar propaganda e apoio para sua eleição, numa bem calculada manobra de enganar um povo incapaz de decidir o que realmente é melhor para si. E nesse caminho, a juíza será apenas um nome esquecido num túmulo, enquanto outros magistrados combativos como ela estarão também esquecidos e desprotegidos.
Num clima de tristeza sem fim entre os que lutam pela Justiça, baixou à sepultura o corpo da juíza Patrícia Lourival Acioli. Lutadora corajosa, mesmo ameaçada de morte honrou seu trabalho de magistrada, deu valor à causa de defender a sociedade contra o crime, não foi complacente com os que mereciam uma condenação certa e em momento algum vacilou em seu trabalho.
E não longe dalí, num clima festivo entre os grupos do crime organizado, os membros das milícias tiveram a certeza de que com seu crime realmente alcançaram seu objetivo. Matar os que se opõem a eles e que ousam condenar seus comparsas e ter a certeza de que o resto dos magistrados e outras autoridades não comprometidas com a defesa da Justiça até fim, hoje são apenas meros, silenciosos e obedientes espectadores na galeria de tiro.
Com todo o poder que esses obedientes espectadores tem na mão e que poderiam usar até para saírem caçando os criminosos pessoalmente de arma em punho, agora vão apenas ser bons redatores de discursos de protesto.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

P32 Parado na parede

Quase caiu...
Toda casa tem uma hora para cair, dependendo do que fazem seus ocupantes. No caso da casa do Brasil, a parede rachada foi um alerta visível para quem não queria sentir o peso dos escombros sobre si. No episódio todo, o peso de uma votação favorável à revisão da Lei da Anistia.

É compreensível a visão jurídica do juiz Eros Grau, que pelo comentário de juristas fez um parecer bem construído sobre seu voto contra a revisão da dita lei. Ele mesmo tendo passado por maus momentos durante a época do regime militar, fundamentou bem sua decisão, mas convenhamos, a parede rachada fez os juízes relatarem em coro seus votos contrários a essa revisão pretendida pela OAB, que como sempre só aparece para colher ou tentar colher louros de coisas que não faz ou se faz, é porque acabarão lhe dando algum lucro, seja ele político ou lucro mesmo, como se entende.

A mesma OAB que chora lágrimas e mais lágrimas por torturados e desaparecidos da época do regime militar mas que não dá grande importância para os milhares de presos do Brasil de hoje, que de forma incompreensível permanecem presos em condições que são uma verdadeira reedição dos campos de concentração nazistas e nem para os incontáveis desaparecidos e torturados pelos soldados do tráfico de drogas, que segundo ela desfrutam de plena democracia e cidadania, mas esses são pobres e favelados, então não tem dinheiro para pagar a tabela de honorários que a OAB estipula para os advogados e sendo assim esses não interessam.

O que comove mesmo a OAB são os antigos esquerdistas oriundos das classes média ou rica das décadas de 60 e 70, que embarcaram na tentativa de derrubar o regime apostando que se isso acontecesse seriam os donos do Brasil, com direito a todos os privilégios do comitê central da nova república soviética dos trópicos. No fundo era uma jogada de cassino do tipo tudo ou nada. Deu em nada, mas após ocuparem cargos legislativos depois da anistia, votaram uma lei de milionárias indenizações para eles mesmos. Enfim, não perderam todas as fichas. Já para as vítimas de seus atentados, nada, nenhum socorro, a não ser o esquecimento, providenciado pelos seus antigos companheiros agora jornalistas.

Quem se lembra de algum jornalista ex-esquerdista entrevistando os mutilados, as viúvas e órfãos que restaram dos seus atentados e assaltos para escrever um livro sobre eles? Ninguém. Aliás, a esquerda brasileira sempre chamou os assaltos a banco de "expropriações". Assassinatos como o do tenente Alberto Mendes Júnior, morto a coronhadas enquanto estava amarrado por Carlos Lamarca e sua turma, eram chamados de "justiçamento por tribunal revolucionário". Explodir uma bomba como fizeram no aeroporto de Guararapes em 1966, matando 2 pessoas e ferindo 15 com gravidade é descrito pelos seus partidários como "ação política".

E a entrada deles nessa situação no passado, acima de tudo foi forçada pelas circunstâncias. Era um charme posar de comunista para discursos nos diretórios acadêmicos até que a Revolução de 1964 colocou tanques nas ruas e de uma hora para outra quem estava com bandeirinha vermelha ficou sem ter para onde ir, já que os diretórios fecharam as portas e largaram todo mundo levando porretada lá fora. Boa parte da mística criada sobre os antigos "guerrilheiros da democracia" se baseia numa visão falseada da história.

Os mesmos "guerrilheiros" que em tempos idos diziam combater o imperialismo norte-americano e ao mesmo tempo defender o povo e a nação brasileira, quem diria, depois de soltos das prisões, aos poucos tornaram-se membros do governo, entregaram o patrimônio nacional nas privatizações ao mesmo capital que para eles era corrupto, tornaram-se banqueiros, donos de corretoras de valores e hoje vivem aos abraços com os mais ricos especuladores internacionais, antes por eles considerados inimigos mortais.
Quando uma parede racha, quem está por perto ouve o barulho que é perceptível. Em 31 de março de 2009 os militares fizeram uma comemoração pelos 45 anos da revolução de 1964, um claro sinal de discordância aberta por muitas coisas vistas na vida nacional. Neste ano, quando a OAB já dava como certa a revisão da lei, em 03 de abril o General Leônidas Pires Gonçalves deu uma entrevista ao repórter Genetton Moraes Neto na GloboNews onde de forma clara deu a entender que o período vivido pela nação foi o enfrentamento de um regime contra opositores que radicalizaram suas ações com a execução generalizada de atentados, sequestros e assassinatos.

Uma frase marcante do general para o repórter foi:

- Quem começa a guerra não pode lamentar mortes. É duro de ouvir?

Seja lá como for, é mais do que claro que se era para ouvir alguma coisa, todos os interessados ouviram e muito bem nos silêncios da entrevista, assim como se lê nas entrelinhas. O mesmo general que já havia acusado os antigos esquerdistas de revanchismo, falava de novo e de forma incisiva nesta data. O mesmo general que havia garantido a posse de José Sarney em 1985 após a doença e morte de Tancredo Neves, afastando todas as especulações e incertezas do cenário de então, deixava uma certeza no ar, a de que as Forças Armadas jamais se submeteriam a uma ofensa dessas, que estava para ser julgada.

A OAB e seus discursantes oportunistas de sempre perderam mais uma vez o rumo. Parar o julgamento era impossível, sair o resultado que queriam seria uma temeridade. E agora? No fundo, aliviados por perderem a própria causa, depois da votação colocaram algumas palavras de lamentações sobre a votação, nobreza de seus propósitos e coisas do tipo. A grande lamentação no entanto era a de que a torneira de novas e milionárias indenizações fora fechada de vez e junto com ela polpudos honorários, fora o aparecimento de novos e falsos heróis, enrolados na bruma do tempo e de mistificações, essa é a verdade.
Fica assim, com a votação do STF negando a revisão da lei, a certeza de que no fundo, não só seus juizes, mas também a já assustada platéia de políticos e antigos esquerdistas, inquietos com a perda de controle do alegre bloco jurídico-carnavalesco da OAB indo de encontro à parede trincada, ia dessa vez provocar a queda da casa.

Para alívio dos antigos "guerrilheiros da democracia" que uma vez haviam ficado trancados de fora da faculdade com suas bandeirinhas vermelhas, afinal o bloco jurídico ficou parado na parede, antes que a parede e junto com ela toda a casa do Brasil caísse em cima de todos.

Mas com trincas assim, não há casa que resista. Logo acaba caindo.

terça-feira, 13 de abril de 2010

P31 O grande truque

De volta ao teatro...
Confesso ao poucos e benvindos amigos leitores que estive ausente neste grande teatro político, a dormir e sonhar tal qual um dissidente russo da antiga União Soviética, enquanto os outros assistiam ávidamente ao pobre e triste espetáculo que se desenrola em nossa frente. Mais outro espetáculo encenado pelos nossos podres três poderes, a exemplo do que também ocorria no finado estado comunista, então chamado de paraíso dos trabalhadores. Sonhavam os dissidentes russos que entravam numa embaixada estrangeira e algum tempo depois estavam livres em outras terras. Livres de toda aquela farsa política. Infelizmente as embaixadas eram cercadas pelos agentes da polícia política formando um árquipelago diplomático, enquanto os russos tentavam se manter à tona no mar em volta. Restava-lhes apenas o árquipelago Gulag, o complexo de prisões soviéticas tão bem denunciado por Alexander Solzhenitzyn.

Vendo as encenações políticas destes tempos, me lembro da citação de um autor sobre o que ele chamava de "monótono desfile de mediocridades" já na década de 70, analisando a baixeza executiva, legislativa e judiciária que entre nós impera.

Despertei bem a tempo de ver o mais recente número de mágica, lamentável por sinal, para encerrar a última peça de teatro do rebolado, onde um assim denominado governador de um chamado distrito federal terminou preso depois de rebolar em meio a denúncias, vídeos e prisões de auxiliares. Enquanto ele representava a peça, outros artistas, travestidos de membros do judiciário e do legislativo lhe deram voz de prisão e o colocaram numa confortável jaulinha onde reluzia a placa "Cadeia" , mas que de cadeia não tinha nada.

Enquanto isso, uma trupe de palhaços entrava no palco gritando elogios aos juízes que estendiam as mãos para serem beijadas. Com as plaquinhas onde se lia "Cidadãos" pregadas em suas testas, os palhaços diziam em voz alta e discursos pungentes que uma nova época se iniciava na política do Brasil, que agora os poderosos estavam indo para a cadeia e voltavam a pular enquanto os juízes diziam estar do lado do clamor popular e depois num canto do palco passavam álcool nas mãos. Beijos do povo, cruzes, que nojo.

Voltei a dormir e acabei acordando algum tempo depois com a encenação da libertação do agora ex-governador, saindo da jaulinha e levado por sua mulher para o conforto do lar e de um ostracismo político, que será regado pelo rico dinheiro público que ele amealhou durante esse tempo todo.

Percebi que tudo havia sido um truque de mágica. Um grande truque. Título mais do que adequado de um filme que vi há pouco tempo e que cai como uma luva para esse teatro do absurdo que temos aqui no Brasil, onde o executivo, o legislativo e o judiciário dançam num infame teatrinho pornô e se pretendem membros de uma grande companhia de teatro a interpretarem de forma virtuosa peças memoráveis da história política.

Enquanto a platéia aqui embaixo aplaude, numa parte dos camarotes os proprietários do teatro se comprazem em ver que tudo sai de acordo com o roteiro. Enquanto isso, na parte superior, os jornalistas estrangeiros encarregados de mandarem suas críticas para os principais jornais do mundo deixam de rir para lamentar a má sorte dos brasileiros abaixo deles, expostos a essas iniquidades que em suas terras faz parte de um secular passado, quando o mesmo tipo de proprietários foi derrubado dos camarotes junto com esses teatros que vieram abaixo em meio a revoluções que de teatrais não tinham nada.

Foi tudo um grande truque. Como diz o velho fabricante de aparelhos de mágica no filme, todo grande truque se divide em três grandes atos. O primeiro chama-se a promessa. O mágico mostra um objeto comum, mas claro, provavelmente não é. Todos sabem que os objetos supostamente comuns mostrados pelo mágico para a platéia são cheios de compartimentos falsos, lugares onde se pode colocar ou tirar alguma coisa que ninguém viu no palco. Basta um ato de prestidigitação. Enquanto os olhares se dirigem para um lugar, a mágica é feita em outro.

O segundo ato chama-se a virada. O mágico pega o objeto comum e o transforma em algo extraordinário.

No truque o mágico mostrou um governador corrupto sendo preso. Em outros países isso é menos que comum. É simplesmente a aplicação da lei e de costumes seculares de probidade e justiça. Aqui no palco político do Brasil, é algo tão incomum que a platéia aplaude mesmo.

A terceira parte chama-se o grande truque e é onde tudo acontece. A platéia vê algo que nunca viu antes.

No caso, na semelhança dos truques dos grandes mágicos enfiados algemados em caixas cheias de cadeados onde deveriam ficar para sempre e saem num instante, nesse caso o mágico mostra o ex-governador saindo de uma caixa política parecida sem problemas.

Tal qual os mágicos para os quais não existe cadeia, cela ou algema que prenda para sempre, bastou uma prestidigitação politico-judiciária para que ele saísse livre. Verdade que agora exposto e notório pela reincidência do que a associação dos mágicos do Brasil chama de crimes, vê-se ele compelido a abandonar o palco, mas não sem antes fazer um último ato de mágica.

O de manter em seu bolso todo o ouro público desaparecido dos cofres de sua administração sem dar contas disso e retirando-se para uma aposentadoria, que se não era desejada, ao menos é forrada de dinheiro.

Dinheiro dos mesmos palhaços que retiram suas placas de "Cidadãos" da cabeça e colocam sobre elas, tal qual coroas, as orelhas de burro que o assistente de palco lhes entrega para o próximo ato.

Olho para as portas do teatro sempre fechadas e penso em dormir de novo.