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domingo, 15 de abril de 2012

P101 No final do mês

Sempre no final...
Depois do incêndio que atingiu o prédio público de serviços ambientais de Porto Alegre, os funcionários se recusam a voltar ao trabalho alegando a insegurança a que estão expostos. Alegam também que praticamente não contam com dispositivos de segurança no prédio. Como mais de 700 pessoas ficam no prédio durante o serviço, os funcionários decidiram ficar do lado de fora, já que perceberam que o retorno das autoridades responsáveis é parco e lerdo, quando não ausente, já que na tradição política brasileira, os dirigentes trabalham em sedes amplas, luxuosas e bem servidas, enquanto os funcionários se esfalfam em salas precárias e mal servidas.
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Para a população largada em salas de espera em pior estado, a situação é ainda mais difícil.
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O secretário de meio ambiente gaúcho ja informou que está procurando um novo edifício para alojar esses funcionários. Entrevistados pelos jornais, os funcionários informaram também que o prédio público comprado em 1960 não possui alvará de habitação e nem plano de prevenção a incêndios, mas o secretário já informou que a procuradoria gaúcha está regularizando a situação. O secretário só não informa se isso vem sendo feito desde 1960.
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Também informou que até o fim do mês um novo sistema de controle permitirá saber a real situação dos milhares de prédios públicos alugados pelo governo gaúcho, que hoje conta com um precário e desatualizado sistema de acompanhamento.
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Essa é mais uma das tradições políticas brasileiras. Sempre que são entrevistas sobre uma irregularidade ou problema, os secretários, chefes ou governadores responsáveis sempre terminam uma declaração dizendo que "até o fim do mês, um novo sistema será implantado para...".
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E lá vem, como há mais de um século, sempre o novo sistema "no fim do mês" para acompanhar obras com irregularidades, para acompanhar as obras da Copa do Mundo cheias de denúncias, para melhorar as obras dos aeroportos cheios de problemas, para sanear os problemas de algum hospital cheio de pacientes mortos, para acompanhar melhor as planilhas de custos para impedir desvios de dinheiro público.
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No fim do mês o que vem sempre é o polpudo salário dos dirigentes políticos brasileiros.
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Vellker
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quinta-feira, 15 de março de 2012

P98 Bom tom e etiqueta nos assaltos

Sugestões de frases para anunciar uma ação...
Tem sido uma constante as queixas dos moradores de bairros nobres de São Paulo por causa de assaltos e arrastões promovidos por bandidos de alta classe, que é claro, deixaram de se interessar pela prática de assaltos em vielas e botecos onde no máximo conseguiam alguns trocados para pagar a refeição do dia, pelos assaltos aos ditos moradores dos bairros de gente rica, dos quais eles conseguem arrancar até mesmo relógios de 3 mil reais dos pulsos.
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Apesar da rudeza da observação, que tipo de idiota vai sair com um relógio de 3 mil reais no pulso? Só mesmo o idiota que pede para ser assaltado com esse chamariz à vista de todos. Nas delegacias, as queixas dos membros da classe rica e média alta, vítimas de assaltos tem sido uma repetição enfadonha. Melindrados pelo fato de terem sido obrigados a se despojarem dos seus bens e se deitarem no chão senão tomam um tiro e o que é pior, de bala comum e não de alguma marca européia famosa como Bulgari ou Pierre Cardin, que infelizmente ainda não fabricam munição de classe, tem eles expressado sua indignação pela impolidez dos assaltantes.
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Acostumados a maltratarem empregadas e motoristas com expressões rudes e ameaças de vínculo empregatício, ficam surpreendidos e magoados ao serem tratados da mesma forma e ainda por cima de cabeça baixa, frente ao irrespondível argumento bélico exibido pelos assaltantes, melhor dizendo, expropriadores, que incompreendidos em seu ingrato trabalho de tentativa de reequlíbrio das desigualdades sociais, são sempre mal falados pela imprensa, que os denigre de forma parcial, visto que a maioria dos jornalistas se constitue , não raras vezes, em serviçais da classe assaltada, melhor dizendo, expropriada.
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Vão aqui algumas sugestões para que os assaltantes comecem a anunciar suas abordagens com mais classe e elegância, com o mesmo palavreado que a classe rica está acostumada a ouvir de seus mordomos.
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Alteremos também os nomes como assaltos e arrastões, tão vulgares e desprovidos de charme para outras denominações que reflitam elegância e bom tom para a ocasião.
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Assalto passa a ser chamado de expropriação, como nos filmes políticos da década de 70, onde se romantizavam as ações da esquerda hoje no poder e arrastões passam a ser chamados de expropriações domiciliares, o que é, convenhamos, bem mais charmoso.
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1-Anúncio do assalto:
Senhores e senhoras, peço sua atenção por alguns instantes. Tendo em vista a grande concentração de ítens de joalheria e eletrônicos de última geração e de grande valor em posse das pessoas de fino trato aqui presentes neste restaurante da moda, pedimos que coloquem todos seus celulares, relógios caros, jóias de alto valor e também cartões de crédito e dinheiro em espécie na bolsa que nosso auxiliar estará passando entres vocês. Depois pedimos que se deitem para evitar o incômodo de receberem um disparo, que reitero, será feito somente em nossa legítima defesa. Nosso bando, perdoem-me, nosso grupo, agradece sua compreensão e contamos com sua presença na nossa próxima incursão. Após nossa saída pedimos que continuem suas refeições sem maiores problemas. Obrigado pela sua compreensão e pelos seus pertences.
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2-Expropriação do relógio de alto valor:
Prezado senhor, tendo em vista sua contumácia em carregar pelas ruas esse relógio de altíssimo valor, gesto temerário e desprovido de sentido, gentilmente lhe observo que neste momento sua pessoa está sob a ação de uma medida de coerção visando a expropriação desse bem. Solicito que o entregue para mim agora mesmo, senão serei obrigado a efetuar um disparo contra sua pessoa, para retirar o referido relógio do seu corpo inerte. Encare isto como medida puramente coercitiva sem nada de pessoal contra tão fina pessoa. Espero que não fique magoado com essa ação, que é em última análise, apenas uma expropriação necessária para reequilibrar ao menos em parte as graves distorções de distribuição de renda no nosso meio social. Agradeço pela sua presteza.
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3-Deitar alguma vítima mais renitente no chão:
Caro senhor, desculpe-me por esse golpe contundente na sua distinta cabeça. Solicitamos no início da expropriação e com toda gentileza que todos se deitassem no chão. No entanto, flagrei-o escondido atrás do vaso de flores e com o celular na mão de forma suspeitíssima. Sou obrigado a provocar esta contusão em sua cabeça com a coronha da pistola, pois sua atitude não me deixa outra alternativa. Além disso, esta açào é altamente pedagógica e instrutiva para os demais presentes, que à vista do sangue que pinga de sua nobre cabeça, tratarão de ser mais dóceis e mais rápidos na atitude de passarem seus bens sem nos criarem nenhum problema a mais. Conto com sua compreensão neste difícil momento e mais uma vez assevero que nada há de pessoal neste ato.
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4-Polida exigência de rapidez na entrega dos bens:
Reiteramos mais uma vez aos prezados frequentadores de tão fino estabelecimento, que sejam mais prestativos e mais rápidos na entrega de todos seus bens, como relógios, jóias, celulares, cartões de crédito e dinheiro e falando baixo. A demora na ação solicitada demandará mais tempo na expropriação dos bens, o que eleva em muito o risco de que os chamados agentes policiais, caso sejam alertados por algum observador externo, entrem no estabelecimento, com o que haverá um confronto bélico com intensa troca de tiros em todas as direções, com o que não poderemos de forma alguma garantir a segurança dos fregueses aqui presentes. Agradecemos se prestarem atenção neste detalhe e tornarem mais rápida a entrega dos bens, ação que visa preservar a nossa e a sua segurança.
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5-Saída do estabelecimento após a expropriação:
Agradecemos pela sua colaboração na entrega dos seus bens pessoais durante a expropriação. Realmente este é um estabelecimento requintado e que recebe somente pessoas de fino trato. Solicitamos para sua e nossa segurança que evitem chamar as forças policiais durante alguns minutos, enquanto empreendemos nossa saída sem maior alarde. Apesar da interrupção, poderão continuar a saborear sua comida e degustar seus vinhos finos, que tivemos o cuidado de deixar intactos sobre suas mesas. Esperamos reencontrá-los neste restaurante em outra ação ou em suas casas e apartamentos na nossa próxima expropriação domiciliar, já agendada para breve. Obrigado pela presteza e uma boa noite a todos.
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Assim todos serão felizes e os moradores dos bairros nobres não só de São Paulo como de outras metrópoles terão um tratamento mais digno durante as expropriações de alto padrão.
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Vellker
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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

P79 Estrebucha, filha...

Já que chegamos a isso...
Chegamos a tal ponto nesse país atacado por todos os lados por todo tipo de bandidos, que atitudes que levam ao extermínio de bandidos já são plenamente justificáveis. Já que chegamos a tal ponto ou pelo menos os acontecimentos diários nos levam à constatação de que não fica tão deselegante pensar assim, haja visto os tempos que estamos atravessando nesta nação, com total inversão de valores.
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Na foto acima vemos o treinamento de policiais da ROTA em São Paulo, um grupo conhecido pela sua capacidade de combate ao crime. Na foto abaixo vemos a nacionalmente conhecida imagem de um assaltante, Tiago Silva de Oliveira, agonizando após troca de tiros com policiais depois de ter feito um assalto em São Paulo. Com a divulgação do vídeo, ficou celébre a expressão do policial que chega para atender a ocorrência com uma frase dita no calor do momento.
Imediatamente levantaram-se os clamores dos intelectuais e entidades de defesa dos direitos humanos em rádios, televisões e jornais condenando o acontecido. Essas entidades que hoje mais se assemelham a grupos de pressão política a favor dos bandidos já deixaram de ser representantes do que uma sociedade pode ter de modos civilizados ao lidar com a questão do crime, parecendo hoje a todos inextricavelmente ligadas aos criminosos. Com sua eterna e incondicional defesa dos criminosos, já repugnam a todos. Uma coisa é certa, de graça é que não vão trabalhar.
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Na foto abaixo vemos o assaltante que sobreviveu, Diego Arruda Ramos, que hoje aparece fazendo o discurso de coitadinho, dizendo que foi humilhado durante 40 minutos. Se os policiais fossem tão maus quanto ele diz, ele teria sido executado 4 minutos depois que eles chegassem. Mas com esse discurso de coitadinho, além de ser uma excelente marionete para seus amigos dos direitos humanos, ainda tenta cavar uma indenização. Depois de ser baleado ao participar de um assalto, ainda se arroga o direito que teria de ser tratado como se fosse um hóspede de um hotel. Ele se declara borracheiro, mas não explica se fazia assaltos nas horas de folga.
Enquanto o caso é divulgado, alguns repórteres, alguns intelectuais e alguns defensores dos direitos humanos, os mesmos que nunca vemos em ocorrências policiais, (porque sabem que bichos estão defendendo), que nunca aparecem nas cenas de latrocínios, estupros e tudo mais prometendo assistência e defesa para as vítimas, aparecem na frente das câmeras e em estúdios de televisão à beira de um ataque de nervos, exigindo rigorosíssima apuração dos fatos, punição implacável para os responsáveis e é claro, se possível, fica no ar a idéia de uma indenização para o sobrevivente.
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É provável que a maioria das pessoas que tem notícia do caso ache a atitude dos policiais a mais correta e justificável. Porém como alguns ainda ficam em dúvida escutando o discurso dos defensores dos direitos humanos para os quais bandido bom é bandido vivo (afinal esse paga honorários), selecionei imagens de alguns casos de crimes celébres, para que os leitores possam vê-las, rememorar o acontecido e imaginar qual a última frase que esses criminosos talvez tenham dito para suas vítimas agonizantes.
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2002. A população toma conhecimento de que Suzane von Richthofen e os irmãos Cravinhos, um deles seu namorado, foram denunciados como autores do assassinato dos pais dela, atacados enquanto dormiam, sem a mínima chance de defesa. Suzane arquitetou o crime querendo se apossar dos bens dos pais. Um dos irmãos comprou uma moto logo após o crime com dinheiro roubado do quarto do casal assassinado. Quais as últimas palavras que eles podem ter dito para o casal agonizante?

2007. Presos depois de descobertos em seu esconderijo, os assaltantes dos pais do menino João Hélio são apresentados pela polícia carioca aos repórteres. Durante o roubo do carro, os assaltantes ignoraram os pedidos da mãe para soltar o filho caído no chão preso no cinto de segurança e arrastaram a criança por 7 quilômetros, deixando seu corpo completamente destroçado. Um motoqueiro que tentou avisá-los recebeu como resposta gritos de deboche. O que terão dito ao verem o corpo de sua vítima?
2008. O casal Nardoni chega preso depois que foram denunciados pelo promotor encarregado do caso como assassinos da menina Isabella Nardoni, de 5 anos de idade, cujo pai Alexandre Nardoni, a jogou pela janela do apartamento no 6.º andar. Pela reconstituição dos fatos, haviam tentado sufocar a menina no carro, depois decidiram jogá-la pela janela e simular um assalto. Quais a últimas palavras que Isabella deve ter ouvido de seus assassinos?
2011. A juíza Patrícia Lourival Acioli, combatente do crime organizado e jurada de morte termina executada ao chegar em sua casa com 21 tiros. Sempre combatendo e penalizando os membros de milícias e traficantes que eram levados a julgamento, Patrícia notabilizou-se pela sua coragem, mesmo ameaçada, defendendo a população ao sentenciar os criminosos a penas severas. Podemos imaginar as últimas palavras que os criminosos lhe disseram enquanto recebia os disparos.
Óbvio que num país cheio de problemas como o Brasil, com os policiais sempre imersos numa rotina de sobreviver a perigos que vem de onde menos se espera, de socorrer colegas baleados no dia a dia de patrulhas, de mesmo mostrarem no corpo as cicatrizes de balas recebidas na troca de tiros com criminosos e de se lembrarem dos últimos momentos de vida de colegas caídos mortalmente feridos por armas de criminosos, claro, a reação deles não poderia ser outra.
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E nem deveria ser outra. O certo é deixar claro a criminosos que partem para o latrocínio que a parada é dura, as chances de sobrevivência são poucas e o castigo é certo.
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Socorro?
Tratamento decente? Nada disso. Já vão partir para o crime sabendo o que os espera ao serem capturados ou baleados. O mesmo tratamento que deram às suas vítimas. Sem piedade, sem compaixão. Entrou nessa vida, sabia onde estava entrando. Entrou na chuva, é para se molhar.

É difícil crer que depois dessas duas décadas de absurdo garantismo penal, que não faz mais o mínimo sentido, com centenas de milhares de vítimas de todo tipo de crimes, como latrocínios, sequestros, estupros, tráfico de drogas, ainda exista um grupo de amigos de bandidos que nada mais fazem do que entoar sempre no conforto dos estúdios de televisão, a cantiga de que os policiais são maus e os bandidos apenas seres sociamente incompreendidos.
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Pior ainda, foi esse garantismo que permitiu o assalto de corruptos aos cofres públicos com o roubo de dezenas de bilhões de reais, aumentando as disparidades sociais e ferindo gravemente a nação. Se esse garantismo penal serviu para abrir as porteiras para centenas de milhares de criminosos do pior tipo, qual é o problema? O problema é do cidadão comum, que paga com a própria vida por isso.
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Garantismo penal que em última análise foi criado enquanto repórteres que depois vieram a entrar na fila das indenizações fazendo o papel de "coitadinhos perseguidos pelo regime militar" enchiam páginas e mais páginas defendendo o garantismo penal sem limites. Isso é que serviu de gancho para os mais variados vagabundos legislativos, desde municipais até federais criarem códigos penais e leis de administração que visavam garantir isso sim, a sua própria impunidade e a de seus cúmplices no verdadeiro paraíso de corrupção em que se tornou o Brasil, tudo sob o pretexto das "garantias democráticas".
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Exclusão social e pobreza são sim chagas sociais do Brasil, mas não são passaporte para as pessoas saírem matando, na maior parte das vezes de forma fria, escarnecendo do sofrimento de suas vítimas, para depois, quando são pegas, correrem atrás desses grupos de defesa dos direitos humanos somente para bandidos, enquanto que o cidadão de bem fica caído numa poça de sangue na esquina.

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Com esses absurdos, muitos desses repórteres, intelectuais e defensores dos direitos humanos para criminosos conseguiram aumentar em muito o número de cruzes nos cemitérios de todo o Brasil. Cúmplices dos assassinos, posam de grandes heróis "democráticos", alguns escrevendo em confortáveis apartamentos no exterior, longe dos tiroteios dos quais fazem questão de ficar bem longe.
Enquanto isso, sabe-se lá em quantos lugares, na medida do possível, os policiais chegam na cena de mais uma troca de tiros com bandidos e dizem o que deve ser dito:
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- Estrebucha, filha...

domingo, 7 de agosto de 2011

P77 Soldados vencidos

Suicidando-se por inanição e ainda pedindo desculpas...
Passando em retrospecto o comportamento das Forças Armadas nas últimas décadas, vemos que se guiaram desde 1985 numa chamada posição de respeito aos governos civis, garantindo sua não ingerência nos governos que vieram desde então. O momento histórico assim o exigia e os militares souberam entender isso. Porém, se por um lado deram mostras de uma atitude que condiz com uma postura de correção política, por outro se colocaram numa rota suicida, submetendo-se aos desvarios de governos ditos democráticos que na verdade vieram todos, desde a posse de José Sarney em 1986, carregados de uma corrupção avassaladora. Pior que isso, a corrupção, a entrega da nação a estrangeiros e em grande parte a destruição das Forças Armadas foram sempre diretrizes de autodefesa de tais governos, tanto federais como estaduais. Retalhando e destruindo para terem lucro qualquer parte dos serviços e instalações públicas, em especial a capacidade militar do Brasil, mantendo-se sempre submissos a diretrizes estrangeiras em troca de favores pessoais e favorecimentos comerciais, os dirigentes que vieram desde a época da passagem da presidência aos civis não só desmereceram completamente seu comando como também talvez tenham colocado o Brasil e suas Forças Armadas frente às consequencias de uma secessão civil e militar da nação.
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Hoje sempre insistindo em estar na defesa de um sistema político que o ataca, o deixa sem condições de defender a própria nação e ao mesmo tempo provoca sua morte lenta, as Forças Armadas brasileiras hoje parecem na verdade uma espécie de soldado que além de estar se suicidando pela fome ainda pede desculpas pelo incômodo.
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No primeiro dia deste mês o General Augusto Heleno, hoje reformado, mas que já foi comandante militar da Amazônia e também liderou as forças brasileiras no Haití, participou do programa de debates da Rede Bandeirantes, o Canal Livre. Em que pesem suas credenciais impecáveis e postura de verdadeiro patriota e defensor da nação, ao longo da entrevista todos os que gostam de assuntos estratégicos veem de forma clara que as Forças Armadas brasileiras hoje estão em situação de mendicância, em se tratando de poder militar contra algum possível invasor estrangeiro, coisa não desprezível nos dias de hoje. Pior ainda, quem conhece a realidade dos quartéis sabe que em muitas unidades, soldados com famílias na cidade do quartel almoçam em casa para que o Exército possa gastar menos. Percebe-se claramente que uma estrutura militar que desceu a tal ponto nem mesmo suas cidades consegue defender de inimigos internos. Um claro exemplo foi a falsa "retomada" dos morros cariocas pelo Estado, tão mistificada e celebrada pela imprensa com a subida de tanques do Exército e da Marinha no Rio de Janeiro, para desalojar traficantes, que apenas mudaram de lugar e continuam com o tráfico sem maiores problemas, enquanto que todo o aparato bélico apenas voltou para os quartéis sem nada fazer e nem nada garantir. Serviu apenas para os governantes do Rio dizerem para a FIFA que o trabalho de casa estava sendo feito. Nada poderia ser tão humilhante para os militares brasileiros quanto esse papel.
Com esse pano de fundo, a entrevista do General Heleno versou sobre a Amazônia e problemas de equipamentos do Exército. Com profundo respeito pela postura desse militar, o que os telespectadores perceberam foi que ele falava em nome de guarnições senão famélicas, ao menos miseravelmente a pé, tal o estado de desmonte dos sistemas de transporte em massa de soldados, coisa impensável na selva amazônica, onde a maioria dos ônibus e caminhões em certas estradas chegam a levar um dia inteiro para andarem uma mísera centena de quilômetros devido ao estado de abandono das estradas. Essas mesmas estradas seriam usadas no caso de necessidade do Exército reagir a um ataque estrangeiro. Ou seja, hoje em dia, a própria selva amazônica é um elemento de contenção dos soldados brasileiros, que se fossem responder a um ataque, se veriam enrolados em cipós e matas fechadas com seu deslocamento rápido completamente anulado.
Dispõe o Exército de velhos blindados de transporte pessoal tipo M-113, boa parte deles veteranos da Guerra do Vietnã, caminhões Mercedes brasileiros, jipes Toyota japoneses e Land Rovers ingleses numa total despadronização de equipamentos de transporte. Os velhos tanques vendidos ao Brasil nas décadas de 70 e 80, apesar de bons também tem limites para avanço numa selva. Em todo caso não iriam a lugam nenhum nessas estradas e os soldados permaneceriam dentro deles sem mais nada a fazer do que patrulhar o perímetro próximo. Para aumentar ainda mais a sensação de espanto, o próprio general admitiu no programa que o sistema de comunicaçães militares amazônico é tão precário que muitas vezes ele usava o celular para conseguir se comunicar. Um general de um exército com uma missão de defesa continental e que pode ter a surpresa de ao tentar dar uma ordem, receber o aviso de seu celular está fora de área. Para não sujeitar nosso Exército a maiores humilhações, melhor nem entrar no éxame da situação de sistemas de artilharia, transporte aéreo, cobertura por força aérea própria e vigilância por satélites, simplesmente inexistentes.
Se é para dar uma esperança, falsa aliás, sobram tanques M-41 da década de 60 e alguns tanques M-60 recentemente comprados pelo exército brasileiro. Alguns desses modelos hoje são usados como alvos para mísseis em testes nos Estados Unidos. Com quase 1.400 blindados obsoletos espalhados pelo Brasil, boa parte sem funcionar, vemos que hoje o território nacional é uma casa de portas abertas para qualquer invasor estrangeiro. Só para uma comparação, somente para a defesa de seu território os americanos contam com mais de 8.000 blindados modernos e funcionando. Esse número não inclui os blindados em uso pelo exército americano em operações estrangeiras e nem se contam aqui os que saem das fábricas mensalmente. É provável que não tenhamos sido invadidos porque nas privatizações boa parte das províncias minerais amazônicas passou para a mão de estrangeiros através da venda a preço de ocasião. Chegava mesmo a ser tragicômico ver anúncios do Exército Brasileiro na televisão falando de tropas preparadas para a defesa do território nacional e depois o noticiário sobre mais uma compra de reservas minerais por estrangeiros.
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Em todo caso a grande responsável pelo desmonte das Forças Armadas brasileiras foi a classe política brasileira, que tendo causado um prejuízo de incontáveis bilhões de reais desde 1985, não só não se cansa de reincidir nos seus crimes, como também a cada dia que passa coloca em risco a sobrevivência do Brasil como o conhecemos, como território constituído nesses 8 milhões de quilômetros quadrados tão duramente conquistados e que por incompetência e e corrupção contumaz de seus políticos, verdadeiros traidores da nação, está cada dia mais em grave perigo.
Restaram homens como o General Augusto Heleno, com suas críticas fundamentadas contra a política indigenista, ponta de lança da entrega de territórios brasileiros a estrangeiros e também civis preocupados com essa situação, que ajudam no possível com suas idéias. Temos que reconhecer, que como brasileiros estamos acuados em nosso próprio território. Até mesmo para dar a entrevista o general teve que transitar por estradas onde empresas com participação estrangeira lhe cobraram pedágio. Parece que a missão de defesa do solo nacional pode ser mais bem descrita como uma abstração do que uma realidade.
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Apesar reconhecermos o esforço, a dedicação e o preparo dos soldados brasileiros na Amazônia, mais ainda na figura do General Augusto Heleno, temos que nos lembrar das palavras de Anton Zischka, que observou várias guerras ao redor do mundo e até mesmo previu a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Ao observar a sempre certa vitória de tropas com mecanização superior em vários confrontos na Europa, ele não deixou de observar a coragem e determinação de exércitos vencidos. Mas observou igualmente que se a coragem pode muito, a coragem movida a gasolina pode muito mais. Foi assim que ele viu as vitórias avassaladoras de tropas blindadas alemãs contra oponentes que ainda lutavam a cavalo ou a pé.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

P66 Liberem as armas

Num tiroteio já vivemos mesmo...
Depois de tudo o que aconteceu na escola do Realengo já aparecem bem mais cedo do que deveriam, os repórteres e políticos hipócritas que querem fazer o papel de "amigos da paz"...armada é claro, por guardas que eles pagam para não terem que atirar em alguém em defesa própria. Ou são covardes demais para isso ou não querem entrar num confronto. Nunca se sabe, o bandido pode ser mais rápido ao sacar a arma. Melhor pagar alguém para enfrentar o risco enquanto se recolhem ao doce convívio dos condomínios fechados.
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O caso da escola do Realengo pode ficar para uma observação tardia. Já aconteceu mesmo. É só mais um caso num longo caminho de fuzilamentos coletivos. Alguém lembra do massacre de 21 pessoas em Vigário Geral em 1993? As vítimas estavam desarmadas. Alguém lembra do massacre de 29 pessoas em Nova Iguaçu em 2005? Claro, as vítimas estavam desarmadas, de novo. Na escola do Realengo é lamentável que tenha acontecido mais esse massacre e as jovens vidas que se foram perderam-se numa tragédia inimaginável, mas houvesse guardas armados em cada andar daquela escola, dificilmente o assassino teria chegado até onde chegou.
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Há um exemplo que faz pensar quem tem coragem para isso. Uma nação como Israel, onde todos os cidadãos andam armados até com metralhadoras Uzi de 9 mm. ou fuzis M-16 enfrenta radicais islâmicos que entram em seu território e se explodem no meio da população. Dá para entender. Mas mesmo dessa nação armada até os dentes e que ensina em cursos de treinamento militar para suas crianças o que são armas, como funcionam e como usá-las em defesa própria nos vem uma lição. Seus alunos não espancam e nem atiram em seus professores e seus colegas de escola não entram atirando na escola para se vingarem das brigas com os colegas de classe. Como se explica isso?
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Desde 1994, sob as benção do governo da época e da alegria dos parlamentares de Brasília, muitos acusados de manterem trabalho escravo em suas fazendas no país, o cidadão de bem foi desarmado em campanhas ano após ano e o que temos visto desde então é a total supremacia dos bandidos e organizações criminosas dos mais variados tipos, desde o PCC paulista e sua insurreição de 2006 que deixou o Estado de São Paulo de joelhos até o tranquilo domínio das milícias no Rio de Janeiro que dominam pelo terror das armas que possuem, milhares e milhares de cidadãos das comunidades que escolhem para tomar de assalto. E quem tem armas para se defender? Ninguém. O governo editou leis para desarmar o cidadão para "defendê-lo". Resta saber a quem ele quis defender. O cidadão é que não foi.
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O certo é que mais que grupos de hipócritas, as redações do jornais abrigam jornalistas praticamente vendidos a uma campanha de desarmamento, que escrevem generosas páginas e mais páginas de estatísticas para justificar o desarmamento e publicam apenas pequenas notas de pessoas favoráveis ao direito do cidadão de armar-se para sua defesa ou nem mesmo isso. Há poucos anos atrás os jornalistas diziam que o Brasil tinha 5 milhões de armas ilegais. E como ficaram sabendo disso? Saíram perguntando em todas as casas quem tinha armas ilegais? E receberam 5 milhões de alegres respostas afirmativas? Agora depois do tiroteio na escola do Realengo, os mesmos jornalistas exultantes dizem que o número de armas ilegais aumentou para 16 milhões.
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Então temos que admitir que o número de bandidos ultrapassa as próprias Forças Armadas em 15 milhões e 700 mil bandidos armados, já que os jornalistas carimbam todas essas armas como em posse de bandidos. Ou então resta um explicação mais lógica. Eles simplesmente mentem como bem interessa no momento ou o cidadão decidiu, mesmo que às custas de enfrentar essas leis de desarmamento, armar-se para defender a si mesmo e sua família.
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O mais correto é liberar as armas para o armamento amplo, geral e irrestrito do cidadão. Tiroteio vai ter e dos grandes, mas já vivemos num tiroteio mesmo, grande diferença não vai fazer.
O certo é que num clima como o do Velho Oeste, onde os cidadãos decentes podiam se armar, se defender e até mesmo organizarem as patrulhas que caçavam bandidos, as chamadas "posses", as coisas correram de forma diferente. Os cidadãos de bem venceram e puderam viver e trabalhar em paz. A nação progrediu pelas suas leis e pela firmeza das penas aplicadas aos bandidos.
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Já no Brasil do cidadão desarmado e exposto aos bandidos super armados, dá para ver como as coisas caminham mal e dependendo desses jornalistas vendidos e desses políticos corruptos, vão caminhar pior ainda.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

P62 Agora todo mundo corre

Se um pontapé faz isso, imagine um tiro...
Mais um dia em que vou para a casa da minha mãe, vazia desde sua morte. Tomo conta dela há tempos. Ainda não sei, mas vou chutar um amigo que ainda nem conheço. E há tempos tento controlar os ânimos com os moleques de rua. Mal-educados, relaxados e sujos como os pais, sempre na calçada maquinando o que não presta. Já troquei várias vidraças da janela. O divertimento desses pequenos animais? Chutar uma bola de futebol na janela quando estou longe. Quando chego como em outras vezes já aconteceu e falo com eles, mentem de forma descarada, crentes de que não foram vistos. E além disso, no Brasil, o que pode ser feito com crianças e adolescentes? Nada. O ECA ou a lei do Estatuto da Criança e do Adolescente lhes permite todas as patifarias, crimes e atentados contra as pessoas sempre com a hipocrisia de "proteger os menores" ou como todos sabemos, os famosos "de menor". Mas pelo estado de raiva que me toma conta, já vi que hoje vai ser diferente. Sempre acreditei que ECA está mais para Escola do Crime para Adolescentes isso sim.
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Vindo pela rua vejo de novo os pequenos vagabundos chutando a bola, até que consigo devagar chegar a meio quarteirão de distância quando eles me veem. Os dois maiores já espertos na vagabundagem saem pelo quarteirão acima e largam o menorzinho com a bola enroscada entre a sargeta e uma laje de cimento. O pequeno, já escolado na mentira tenta me dizer que "...está vendo a bola aqui, eu não estava chutando a bola...". Nem eu acreditei que tivesse voz de tenor assim para lhe berrar tão alto todos os palavrões possíveis. Mereceu, pouco me interessa o tamanho ou idade, já é um vagabundo com esse tamanho.
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Pareço agora um covarde. E se eu estivesse de frente com dois marmanjos? Mas continuo subindo a rua. E gritando todos os palavrões e piores adjetivos dirigidos aos dois sem-vergonhas que se encostaram num portão. Os vizinhos começam a sair porta afora para ver o que está acontecendo. Ótimo, é isso mesmo que quero. Dobro a esquina e vejo os dois vagabundos um pouco mais crescidos pondo em prática a primeira tática dos "de menor" malandros: se encostarem no portão de casa e fazerem de conta que não é com eles.

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Ora, parece que não está dando certo, eles olham e o sujeito continua subindo a rua, gritando e o que é pior, está indo para cima deles. O outro menorzinho já foi para sua casa que nem sei onde é. Melhor dizendo, esconderijo. Os "de menor" usam outra tática segura nesses casos e entram portão adentro. Pronto. Verdadeira proteção que nem uma embaixada oferece. Do portão para cá nem a polícia entra, estamos a salvo pensam. Continuo chegando e gritando, vizinhos todos na rua. Já imagino a polícia chegando e me prendendo e estou pouco ligando. Depois volto aqui e jogo um tijolo na casa desse desgraçado. O casal de idosos que me havia dito não ter mais paz com esses moleques me olha com um pequeno sorriso vendo o que vai acontecer. E acontece.
Vendo o portão fechado, dou-lhe um pontapé com toda a raiva que sinto. Ora essa, é assim que os ladrões arrombam casas. O portão que parecia firme se abre e bate de lado. O encaixe da fechadura cai grudado em um pedaço de tijolo e cimento. Os "de menor" me olham de olhos arregalados e entro gritando para eles todos os palavrões que já havia gritado na rua. Os três cachorros, defendendo sua casa avançam e um deles me crava os dentes na perna. Dou-lhe um pontapé e ele sai de lado. Sem saber chutei um amigo, o único sujeito decente daquela casa. Os palavrões continuam. Impublicáveis. Os mais suaves "...filhos de vagabundos...", "...agora todo mundo corre..." e por aí foi enquanto os "de menor" sumiam porta adentro e olha só, aparecem dois marmanjos. Pronto, eu sou menor que eles, é certo, antes da polícia chegar vou levar murros e pontapés e ser jogado na rua, miseravelmente quebrado. Não estou nem aí, depois que tirar a última bandagem volto aqui e cobro geral.
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Como já é habitual nos dias de hoje, os dois fazem parte da medonha figura em que tem se tornado o brasileiro típico. Chinelão, bermuda e um barrigão que completa a aparência de desmazelo e relaxo. A discussão começa, palavras feias de cada lado, mas ora essa, um deles me olha de alto a baixo de cara feia, põe as mãos na cintura e depois vai para dentro da casa. Acho que vai pegar uma arma, dane-se, estou pouco ligando. Continuo discutindo com o outro que também me olha de alto a baixo e me diz uma frase que me deixa desnorteado. Terei invadido a casa errada? Depois de arrebentar seu portão, gritar todos os palavrões a quem julgo seu filho, depois de todas essas cenas quando ele deveria avançar para cima de mim aos murros, ele me diz que:
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- Você não pode invadir o meu quintal e chutar o meu cachorro.
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Deixando claro a ele que estava alí por causa da irresponsabilidade e vagabundagem do seu filho e que as consequências seriam sempre essas se ele aprontasse bagunça novamente, trocamos mais umas palavras nada amigáveis e saio, com ele me dizendo que vai ver isso com o filho dele. Então era filho mesmo, mas ele se mostrou mais preocupado com o cachorro. Que filho mais reles. Seja lá como for, os dois pequenos meliantes já seguem os pais, bermudão e chinelos imundos nos pés. O sujeito que havia entrado na casa sai sem arma nenhuma. Apuro os ouvidos e não escuto a sirene do carro de polícia, então não chamaram ninguém.
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Descendo a rua, me lembro dos botecos onde tipos assim são a presença contínua, habitual, retrato desesperador do povo decaído em que tem se tornado o brasileiro destes dias. Sempre desmazelado e relaxado. Com esse exemplo que tipos de filhos esperam criar? Se é que criam. Os filhos olham para seus pais assim e pensam que se os pais, exemplo maior, andam pelas ruas seminús, incapazes de colocarem sapatos, uma roupa decente, de se mostrarem higiênicos, asseados, então o certo é isso, andar na rua como o papai. Como decaímos com o regime dito de "democracia e cidadania". O negócio é sentar o pé ou bala se for preciso. Desci a rua pensando que se um pontapé faz isso, o que fará um tiro então?

Na rua os vizinhos em praticamente todas as casas, olhando tudo. Acho é pouco, quero mais que o sujeito morra de vergonha. O casal de velhos ainda apreciava a coisa toda. E eu pensava como é que dois sujeitos maiores do que eu não me moeram de pancadas? Eu devia estar mesmo com uma cara de demônio. Sinto a perna doer e aí vejo na perna esquerda o rasgão e percebo uma pequena mancha de sangue. A dentada do cachorro, único amigo e figura decente e aprumada alí naquela casa, que coisa. No calor da situação não nos encontramos de forma amigável. Me viro para pegar a chave e vejo no bolso da perna direita o volume do molho de chaves junto com o aparelho que toca MP3. Só pode ser isso.
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Olho novamente e vejo que o volume no bolso parecia de forma convincente uma pequena pistola automática, as chaves parecendo uma coronha e o tocador de MP3 o cano. Não consigo imaginar outra coisa. Me lembro do outro homem me olhando de alto a baixo e ao invés de avançar para cima de mim, virou-se e entrou na casa. Terá sido por isto? Me lembro da olhada do outro também e a discussão que se seguiu depois e ele preocupado em defender o cachorro.
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Tudo indica que foi isso. Chega um sujeito chutando o portão, gritando coisas horríveis e os dois maiores do que eu saem e ficam só na saída e numa pequena discussão. Olho de novo. Parece mesmo o contorno de uma arma. É isso aí. Você trata certas pessoas com decência e dão risada de você. Dizem para você se danar. Aí você mostra que está disposto a cometer atos de violência extrema e o que fazem? São cuidadosas e dizem que isso não vai acontecer de novo. Sim, a violência funciona.
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Deixo a casa da minha mãe arrumada e sei que infelizmente ainda terei problemas. Não vou viver em guerra com o mundo, mas de vez em quando vou aprontar com ele. Em casa, depois de passar um antibiótico na perna, me ponho a rememorar tudo. Depois durmo o sono dos anjos.
Ainda por cima a justa violência faz bem ao espírito.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

P42 A lataria e o martelo

Modelos políticos e uniformes...
Prossegue sem maiores novidades e provavelmente terá o velho e conhecido fim de impunidade para os envolvidos a tragédia que se abateu sobre a atriz Cissa Guimarães, que teve o filho Rafael Mascarenhas atropelado e morto por um motorista que fazia um racha num túnel interditado no Rio de Janeiro, onde Rafael andava de skate com os amigos.

Depois do atropelamento um caso escabroso começou a ser mostrado para todo o Brasil após a identificação do motorista, que ao mesmo tempo em que era mostrado próximo do túnel sendo parado por uma viatura da polícia militar e sendo liberado, trouxe à tona revelações surpreendentes. Segundo ele os policiais sabiam do atropelamento e exigiram uma propina para manterem-no oculto. Assim que saiu a notícia o comandante dos policiais, em entrevista coletiva teceu todos os elogios possíveis aos dois envolvidos, até que a Rede Globo mostrou um vídeo de câmeras de segurança que quase confirma a versão do motorista. Na frente de imagens indesmentíveis, o comandante deixou de lado os elogios e anunciou a prisão dos envolvidos.

O que fica claro no episódio todo, vendo as imagens dos comandantes da Polícia Militar, é uma sensação insuportável da visão de conceitos políticos e sociais dos mais anacrônicos estampados em suas fardas. Quem viu os noticiários se lembra do comandante da corporação com sua farda ostentando uma inacreditável profusão de botões e enfeites de metal nos ombros que nos tempos atuais beiram o ridículo. Tanta lataria para tão tristes resultados. Aliás em todos os acontecimentos onde apareça algum comandante da polícia militar de qualquer estado brasileiro a imagem é sempre essa: um verdadeiro mostruário de botões, estrelas, comendas, latinhas e coisas do tipo. A explicação para isso, fazendo uma comparação com uniformes de outros países que se regem com outro pensamento social e político é simples.

Um exemplo marcante vem do exército americano. Pouco depois da virada do século passado os militares americanos deixaram seus uniformes mais contidos, com as antiquadas e excessivamente vistosas comendas de lata fora de seus uniformes, trocadas por pequenas tiras de tecido que indicavam a especialização e títulos de honra de seus portadores, com o mínimo de enfeites de metal em seus trajes, usados apenas para a diferenciação de traje militar com os símbolos da nação e da arma a que serviam.

Isso vem da mentalidade política dos americanos, adquirida na época da Revolução Americana de 1776 quando se revoltaram contra a tirania do rei inglês e efetivamente lutaram para ter sua nação. Avessos aos títulos de bajulação e sujeição política, retiraram do tratamento para as autoridades os títulos honoríficos e de nobreza exagerados, na visão deles apenas uma forma de humilhar o cidadão e submetê-lo a uma desigualdade absurda.

A visão da farda do General George C. Marshall mostra bem essa concepção. Um dos comandantes militares mais conceituados da 2a. Guerra Mundial, arquiteto do Plano Marshall que reergueu a Europa e estrategista de planos de batalha decisivos, a figura e a farda do General Marshall mostram a felicidade e o acerto dessa concepção política com sua sobriedade imponente.
Já do nosso lado, podemos pegar uma figura exemplar do apego e até mesmo da voracidade por títulos honoríficos e de nobreza desmesurados e ao mesmo tempo vazios, também passados para adornos e enfeites de trajes oficiais e fardas, assumidos e cultuados como forma de tratamento e visão das autoridades do modo mais absurdo possível, afastando toda e qualquer idéia de igualdade e comedimento. O maior exemplo está na farda dos militares sul-americanos. Ela retrata bem o que aconteceu nos países de língua espanhola e no Brasil, quando as metrópoles coloniais estavam tão enfraquecidas que seus imperadores não tiveram outra escolha a não ser abandonar suas colônias, que no mesmo momento foram tomadas por mandatários locais que absorveram assim nos tratamentos exigidos para seus nomes e nas espalhafatosas fardas que criaram, a postura dos velhos imperadores perdulários e atrapalhados, que tinham em seus herdeiros seus mais perfeito e em alguns casos, pior retrato.

Como não poderia deixar de ser, tal pensamento político, um verdadeiro rosário de misérias morais, tomou forma nos títulos honoríficos absurdos e nas risíveis fardas, cheias de botões rutilantes, latarias inacreditáveis nos ombros e enormes medalhas no peito, que causavam risos entre comandantes militares americanos, com suas fardas sóbrias e elegantes.
No vestuário das polícias militares do Brasil, essa mentalidade ultrapassada e visão política anacrônica continuam na forma dessa lataria toda, também sempre brilhando toda vez que um comandante policial militar aparece num caso desses.

Infelizmente, como vimos no último caso de corrupção acontecido, onde os policiais militares tentaram extorquir o causador do acidente, não há o que conserte essa lataria.

A não ser como os dois policiais deixaram entrever com sua tentativa de extorsão, um martelinho de ouro, tão conhecido nas funilarias.