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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

P114 Para refletir

Muito além da política...
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No jornal Folha de São Paulo, de 25.12.14, apareceu uma interessante combinação de fotos, na seção de álbuns fotográficos.
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Uma imagem bem distante de nós
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Uma imagem bem próxima de nós
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Parece que nem moramos no planeta onde existe a Faixa de Gaza. Ou pior, moramos.
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Vellker

domingo, 15 de abril de 2012

P101 No final do mês

Sempre no final...
Depois do incêndio que atingiu o prédio público de serviços ambientais de Porto Alegre, os funcionários se recusam a voltar ao trabalho alegando a insegurança a que estão expostos. Alegam também que praticamente não contam com dispositivos de segurança no prédio. Como mais de 700 pessoas ficam no prédio durante o serviço, os funcionários decidiram ficar do lado de fora, já que perceberam que o retorno das autoridades responsáveis é parco e lerdo, quando não ausente, já que na tradição política brasileira, os dirigentes trabalham em sedes amplas, luxuosas e bem servidas, enquanto os funcionários se esfalfam em salas precárias e mal servidas.
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Para a população largada em salas de espera em pior estado, a situação é ainda mais difícil.
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O secretário de meio ambiente gaúcho ja informou que está procurando um novo edifício para alojar esses funcionários. Entrevistados pelos jornais, os funcionários informaram também que o prédio público comprado em 1960 não possui alvará de habitação e nem plano de prevenção a incêndios, mas o secretário já informou que a procuradoria gaúcha está regularizando a situação. O secretário só não informa se isso vem sendo feito desde 1960.
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Também informou que até o fim do mês um novo sistema de controle permitirá saber a real situação dos milhares de prédios públicos alugados pelo governo gaúcho, que hoje conta com um precário e desatualizado sistema de acompanhamento.
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Essa é mais uma das tradições políticas brasileiras. Sempre que são entrevistas sobre uma irregularidade ou problema, os secretários, chefes ou governadores responsáveis sempre terminam uma declaração dizendo que "até o fim do mês, um novo sistema será implantado para...".
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E lá vem, como há mais de um século, sempre o novo sistema "no fim do mês" para acompanhar obras com irregularidades, para acompanhar as obras da Copa do Mundo cheias de denúncias, para melhorar as obras dos aeroportos cheios de problemas, para sanear os problemas de algum hospital cheio de pacientes mortos, para acompanhar melhor as planilhas de custos para impedir desvios de dinheiro público.
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No fim do mês o que vem sempre é o polpudo salário dos dirigentes políticos brasileiros.
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Vellker
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quinta-feira, 15 de março de 2012

P98 Bom tom e etiqueta nos assaltos

Sugestões de frases para anunciar uma ação...
Tem sido uma constante as queixas dos moradores de bairros nobres de São Paulo por causa de assaltos e arrastões promovidos por bandidos de alta classe, que é claro, deixaram de se interessar pela prática de assaltos em vielas e botecos onde no máximo conseguiam alguns trocados para pagar a refeição do dia, pelos assaltos aos ditos moradores dos bairros de gente rica, dos quais eles conseguem arrancar até mesmo relógios de 3 mil reais dos pulsos.
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Apesar da rudeza da observação, que tipo de idiota vai sair com um relógio de 3 mil reais no pulso? Só mesmo o idiota que pede para ser assaltado com esse chamariz à vista de todos. Nas delegacias, as queixas dos membros da classe rica e média alta, vítimas de assaltos tem sido uma repetição enfadonha. Melindrados pelo fato de terem sido obrigados a se despojarem dos seus bens e se deitarem no chão senão tomam um tiro e o que é pior, de bala comum e não de alguma marca européia famosa como Bulgari ou Pierre Cardin, que infelizmente ainda não fabricam munição de classe, tem eles expressado sua indignação pela impolidez dos assaltantes.
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Acostumados a maltratarem empregadas e motoristas com expressões rudes e ameaças de vínculo empregatício, ficam surpreendidos e magoados ao serem tratados da mesma forma e ainda por cima de cabeça baixa, frente ao irrespondível argumento bélico exibido pelos assaltantes, melhor dizendo, expropriadores, que incompreendidos em seu ingrato trabalho de tentativa de reequlíbrio das desigualdades sociais, são sempre mal falados pela imprensa, que os denigre de forma parcial, visto que a maioria dos jornalistas se constitue , não raras vezes, em serviçais da classe assaltada, melhor dizendo, expropriada.
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Vão aqui algumas sugestões para que os assaltantes comecem a anunciar suas abordagens com mais classe e elegância, com o mesmo palavreado que a classe rica está acostumada a ouvir de seus mordomos.
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Alteremos também os nomes como assaltos e arrastões, tão vulgares e desprovidos de charme para outras denominações que reflitam elegância e bom tom para a ocasião.
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Assalto passa a ser chamado de expropriação, como nos filmes políticos da década de 70, onde se romantizavam as ações da esquerda hoje no poder e arrastões passam a ser chamados de expropriações domiciliares, o que é, convenhamos, bem mais charmoso.
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1-Anúncio do assalto:
Senhores e senhoras, peço sua atenção por alguns instantes. Tendo em vista a grande concentração de ítens de joalheria e eletrônicos de última geração e de grande valor em posse das pessoas de fino trato aqui presentes neste restaurante da moda, pedimos que coloquem todos seus celulares, relógios caros, jóias de alto valor e também cartões de crédito e dinheiro em espécie na bolsa que nosso auxiliar estará passando entres vocês. Depois pedimos que se deitem para evitar o incômodo de receberem um disparo, que reitero, será feito somente em nossa legítima defesa. Nosso bando, perdoem-me, nosso grupo, agradece sua compreensão e contamos com sua presença na nossa próxima incursão. Após nossa saída pedimos que continuem suas refeições sem maiores problemas. Obrigado pela sua compreensão e pelos seus pertences.
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2-Expropriação do relógio de alto valor:
Prezado senhor, tendo em vista sua contumácia em carregar pelas ruas esse relógio de altíssimo valor, gesto temerário e desprovido de sentido, gentilmente lhe observo que neste momento sua pessoa está sob a ação de uma medida de coerção visando a expropriação desse bem. Solicito que o entregue para mim agora mesmo, senão serei obrigado a efetuar um disparo contra sua pessoa, para retirar o referido relógio do seu corpo inerte. Encare isto como medida puramente coercitiva sem nada de pessoal contra tão fina pessoa. Espero que não fique magoado com essa ação, que é em última análise, apenas uma expropriação necessária para reequilibrar ao menos em parte as graves distorções de distribuição de renda no nosso meio social. Agradeço pela sua presteza.
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3-Deitar alguma vítima mais renitente no chão:
Caro senhor, desculpe-me por esse golpe contundente na sua distinta cabeça. Solicitamos no início da expropriação e com toda gentileza que todos se deitassem no chão. No entanto, flagrei-o escondido atrás do vaso de flores e com o celular na mão de forma suspeitíssima. Sou obrigado a provocar esta contusão em sua cabeça com a coronha da pistola, pois sua atitude não me deixa outra alternativa. Além disso, esta açào é altamente pedagógica e instrutiva para os demais presentes, que à vista do sangue que pinga de sua nobre cabeça, tratarão de ser mais dóceis e mais rápidos na atitude de passarem seus bens sem nos criarem nenhum problema a mais. Conto com sua compreensão neste difícil momento e mais uma vez assevero que nada há de pessoal neste ato.
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4-Polida exigência de rapidez na entrega dos bens:
Reiteramos mais uma vez aos prezados frequentadores de tão fino estabelecimento, que sejam mais prestativos e mais rápidos na entrega de todos seus bens, como relógios, jóias, celulares, cartões de crédito e dinheiro e falando baixo. A demora na ação solicitada demandará mais tempo na expropriação dos bens, o que eleva em muito o risco de que os chamados agentes policiais, caso sejam alertados por algum observador externo, entrem no estabelecimento, com o que haverá um confronto bélico com intensa troca de tiros em todas as direções, com o que não poderemos de forma alguma garantir a segurança dos fregueses aqui presentes. Agradecemos se prestarem atenção neste detalhe e tornarem mais rápida a entrega dos bens, ação que visa preservar a nossa e a sua segurança.
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5-Saída do estabelecimento após a expropriação:
Agradecemos pela sua colaboração na entrega dos seus bens pessoais durante a expropriação. Realmente este é um estabelecimento requintado e que recebe somente pessoas de fino trato. Solicitamos para sua e nossa segurança que evitem chamar as forças policiais durante alguns minutos, enquanto empreendemos nossa saída sem maior alarde. Apesar da interrupção, poderão continuar a saborear sua comida e degustar seus vinhos finos, que tivemos o cuidado de deixar intactos sobre suas mesas. Esperamos reencontrá-los neste restaurante em outra ação ou em suas casas e apartamentos na nossa próxima expropriação domiciliar, já agendada para breve. Obrigado pela presteza e uma boa noite a todos.
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Assim todos serão felizes e os moradores dos bairros nobres não só de São Paulo como de outras metrópoles terão um tratamento mais digno durante as expropriações de alto padrão.
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Vellker
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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

P92 Brincando de prefeito

O parque de diversões paulistano...
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Em uma tragicômica trapalhada, Gilberto Kassab pôde mais uma vez brincar de prefeito de São Paulo, enquanto que os paulistanos vêem cada vez mais motivos de arrependimento por terem brincado de eleitores, se bem que eles não tem nenhuma saída dessa situação. Nas eleíções eles tem as seguintes opções: na esquerda um trapaceiro, no meio um patife e à direita um desonesto. Fica difícil mesmo.
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Após o incêndio da favela próxima ao prédio do antigo moinho desativado, uma sequência de erros, incompetência e absoluto descaso com o dinheiro público resultou na agora histórica brincadeira de demolição do moinho e que vai ficar para sempre na memória dos paulistanos e dos brasileiros em geral, como motivo de riso e vergonha.
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Para melhor entender a brincadeira das crianças crescidas que fantasiadas de prefeito e engenheiros foram brincar de gastar dinheiro com 800 kgs. de dinamite, basta olhar o exemplo de competência e seriedade que foi a demolição do edifício Mendes Caldeira em 1975.
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Mas cabe observar algumas diferenças. Na época do regime militar, a implosão do edifício para a construção da estação Sé do Metrô além de cuidadosamente supervisionada pelo governo, foi dirigida por engenheiros americanos que acostumados a órgãos de fiscalização sérios e a uma justiça que realmente condenaria qualquer deslize deles, estavam também acostumados a trabalhar direito.
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E é o que se vê no registro da primeira implosão feita no Brasil, de uma perfeição e rigor impressionantes. Estrutura do prédio ainda nova, 30 andares, 500 kgs. de dinamite, centenas de pontos de aplicação de cargas de demolição cuidadosamente calculadas e ligadas a espoletas de detonação sincronizadas foram usados. O prédio foi demolido em 8 segundos e baixada a poeira os responsáveis pela demolição receberam todos os cumprimentos pela perfeição da implosão. Saíram dalí orgulhosos e vistos como mestres em seu trabalho. É só ver as imagens.


Em 2011, 36 anos depois, com a mais moderna tecnologia disponível, com melhores equipamentos de engenharia produzidos, com tudo o que se pode dizer de melhor em material de demolição, mesmo assim, com tudo isso à sua disposição, os técnicos arrebanhados pela prefeitura para a demolição do moinho ou não sabiam o que fazer com 800 kgs. de explosivo para demolir um velho prédio de 6 andares já abalado por um incêndio ou nem sequer tinham idéia de como agrupar toda essa carga de explosivo nos pontos certos. O negócio era acender o pavio logo, ficar longe e receber o dinheiro correndo. Feito o desastre, saíram dalí sob vaias e vistos no mínimo como estelionatários e sem a mínima coragem de dizerem que tudo aquilo era serviço deles.
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Na vergonhosa brincadeira de demolição, depois de baixada a poeira, quando todos viram que o antigo moinho havia sido apenas rebaixado para um andar a menos, qualquer um se pergunta como uma empresa com engenheiros que se dizem habilitados foi capaz de fazer tamanha trapalhada e ao mesmo tempo, vendo o vergonhoso fracasso da implosão ao custo de 3 milhões de reais, o prefeito Gilberto Kassab, fazendo questão de deixar seu nome registrado na história dos maiores trapalhões brasileiros, disse em tom de gente grande que "a implosão foi um sucesso". É só conferir nas imagens.

sábado, 24 de dezembro de 2011

P91 Um Feliz Natal

Enfim, que tragam o presente...
Para todos os leitores deste espaço desejo um Feliz Natal e um próspero Ano Novo, com todos os sonhos realizados. E aproveitando a ocasião, meditemos sobre o triste estado em que se encontra nossa nação.
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Com a decadência total, pública e desavergonhada dos três poderes, que ao menos os Três Reis Magos tragam o presente que a nação brasileira precisa para não terminar como uma grande fazenda.