Com essa história do amigo chutado dou sequência ao texto anterior que se encadeia com ele e com os próximos, porque para comparar e atribuir valores às coisas precisamos, que surrada lógica, de coisas. E muitas vezes para fazer isso com seres humanos, precisamos até de animais. Que situação. Mas como é que se chuta um amigo? Simples, não o reconhecendo à primeira vista numa situação onde decididamente você percebeu que a violência é a única saída. E o mais interessante é que ela funciona. Dizem que ela se volta contra a gente, mas no placar geral, com os bons recebendo a violência sem terem feito nada para merecê-la, descobri, ou melhor constatei mais uma vez que ela é útil, necessária, tem efeitos e principalmente, faz bem para o estado de espírito. Você é violento quando é necessário e volta para casa em paz, certo de ter feito o que era preciso. quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
P61 Chutei um amigo
Com essa história do amigo chutado dou sequência ao texto anterior que se encadeia com ele e com os próximos, porque para comparar e atribuir valores às coisas precisamos, que surrada lógica, de coisas. E muitas vezes para fazer isso com seres humanos, precisamos até de animais. Que situação. Mas como é que se chuta um amigo? Simples, não o reconhecendo à primeira vista numa situação onde decididamente você percebeu que a violência é a única saída. E o mais interessante é que ela funciona. Dizem que ela se volta contra a gente, mas no placar geral, com os bons recebendo a violência sem terem feito nada para merecê-la, descobri, ou melhor constatei mais uma vez que ela é útil, necessária, tem efeitos e principalmente, faz bem para o estado de espírito. Você é violento quando é necessário e volta para casa em paz, certo de ter feito o que era preciso. domingo, 6 de fevereiro de 2011
P60 Um pequeno animal
Texto originalmente publicado em 16.05.08 no Bilogue de Textos, Idéias e Imagens
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Um pequeno animal
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De quando os animais são mais humanos do que os humanos...
Enterrei no dia 23 do mês passado uma pequena cachorrinha que apareceu doente no portão da minha casa. Numa noite, quase caindo, se deitou do lado de fora e eu com pena dela passei a dar-lhe água e ração. Como animal abandonado tinha medo de tudo, demorou até ter confiança de entrar no quintal. Após algum tempo, vendo que não seria maltratada aquietou-se num canto, onde fiz uma casinha para ela.
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Coberta de feridas, tive que tratá-la e pude perceber que aos poucos, na medida em que seu corpo se restabelecia, ela de forma surpreendente tomava conta da casa que a acolhera. Melhorando a cada dia, ela latia e cada vez mais alto, a qualquer estranho que passasse pela frente da casa. No quintal dos fundos também mantinha vigilância. Me senti gratificado num dia em que a havia banhado e quando fui soltá-la da corrente, ao me abaixar ela me estendeu a patinha. Podia ver seu estado de ânimo, sua alegria, sua confiança. O rabinho abanando e no ar a patinha estendida. Desde esse dia, toda tarde quando eu voltava, ela corria até a grade do portão e me estendia a patinha. Realmente mais civilizada que certos humanos.
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Mas a doença que ela trazia no corpo já a tinha condenado. Ela melhorou muito por coisa de um mês e depois começou a perder a saúde novamente. Ainda assim, mesmo doente, vinha me receber quando eu voltava e mesmo mais fraca latia contra estranhos. Até o dia em que caiu sem forças. Chamei o veterinário e nada mais havia a fazer a não ser abreviar sua agonia. Naquela manhã, deixei-a bem confortável ao sol, para que não sentisse nenhum frio, dei-lhe água para tirar qualquer sede e afaguei sua cabeça com carinho. Consumida pela doença, ela mal podia olhar para mim. O veterinário deu-lhe a injeção de anestésico e em menos de um minuto sua agonia terminava e ela fechava os olhinhos. Fiquei de olhos úmidos ali.
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De tarde peguei seu corpinho, a levei até uma floresta, cavei uma cova e a enterrei. Lembrei-me das vezes em que ela havia defendido a casa que a acolhera, da patinha estendida no ar, da sua confiança em ser bem tratada, de tudo e achei que havia feito certo ao invés de deixar seu corpo para ser recolhido pelo caminhão de lixo. Dei-lhe o funeral mais decente possível que ela como animal abandonado poderia ter.
Enquanto levava seu corpo e preparava a cova, ia me lembrando das notícias do projeto de lei dos deputados que institui o auxílio funeral de 16 mil reais para essa verdadeira quadrilha que hoje toma conta do legislativo no Brasil, das câmaras de vereadores até senadores. Não podia deixar de fazer comparações entre as atitudes daquele pequeno animal e as atitudes desses animais políticos, no mais baixo sentido, que hoje são o tormento dos brasileiros.
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Enquanto abria a cova com a pá, pensei nas esperanças dos brasileiros, enterradas na vala comum da corrupção dessa gente, enquanto colocava o corpinho dela ali me lembrei dos corpos das pessoas mortas e abandonadas em hospitais públicos destruídos pelas fraudes desses políticos e quando cobri a cova, pensei nas promessas que esses políticos corruptos mataram e enterraram.
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Me senti certo de uma coisa. Que aquele pequeno animal merecia aquele funeral, com honras mesmo, pois no pouco tempo em que vivera havia demonstrado valor e coragem que não vejo em nenhum político hoje. Aquela pequena cachorrinha doente, coberta de feridas, ao postar-se vigilante na frente do portão tinha mais nobreza, coragem e presença do que o mais bem vestido dos políticos de hoje. E muito mais caráter, apesar de ser apenas um pequeno animal.
Estava voltando pela estrada e tive a absoluta certeza de que, se por um desses acasos da vida, eu encontrasse ali um desses políticos que criaram o projeto de auxílio-funeral, eu o mataria com um único golpe daquela pá, sem piedade. Nem seria um assassinato, seria uma limpeza necessária.
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Mas não enterraria seu corpo. Eu o deixaria ao largo na estrada para o caminhão de lixo. Mas fiquei certo de uma coisa. Os lixeiros o reconheceriam e não o levariam.
Mesmo o lixo tem uma certa pureza que nossos políticos não tem.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
P59 Adivinhe quem mandou lembranças
A imagem acima da Guerra do Vietnã dá uma imagem clara de coisas parecidas que acontecem por aqui, se bem que nos limites da cidade do Rio de Janeiro.-
Um soldado americano desolado não consegue entender porque depois das operações com contingentes enormes do exército americano no Vietnã em 1968, os guerrilheiros vietcongs magros e com sinais de fome crônica, descalços, mal-equipados, sem apoio aéreo e sem comando central conseguiam voltar a surpreender os americanos com ataques de surpresa mostrando que estavam sim bem vivos, apenas tinham mudado de lugar. Generais distantes da zona de combate ordenavam investidas incríveis, que com morros e colinas sendo atacados por mais de 12 horas e finalmente conquistados traziam aos soldados americanos uma breve certeza de que haviam vencido, até descobrirem que os vietcongs simplesmente haviam mudado para outra colina ou morro e de lá lançavam novos ataques. Enquanto isso os generais podiam reportar ao comando militar americano mais uma "vitória" e mais um morro ou colina "conquistados".
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Policiais subiram o morro atirando, e levando tiros e sobrou bala até para o helicóptero da Rede Globo, o Globocop, que auxiliado pelas orientações do piloto da Rede Record fez um pouso forçado quase caindo. Três tiros acertaram o Globocop, com mira precisa dos soldados do tráfico. Que vergonha para a emissora que passou quase um mês cantando "vitória", "resgate da cidade" e outras conversas redigidas para a alegria das autoridades, que comemoravam a "vitória da lei e da ordem", quando o televisor no canto da sala, talvez por não ter ligações políticas, de forma inconveniente estragou a festa mostrando o helicóptero caindo. Mas eles não tinham "vencido"?
O mesmo helicóptero que filmou as operações militares no Complexo do Alemão e produziu as imagens para as exultantes e laudatórias crônicas do casal de jornalistas de sua emissora, onde sobravam termos como "O Estado retoma a cidade...", "As forças policiais derrotam os traficantes...", "A população do morro é libertada..." e demais frases de efeito para serem ouvidas única e exclusivamente pelos dirigentes da FIFA e do COI que há muito tempo exigem que a cidade fique como uma vitrine de shopping center arrumada e sem tiroteios para sua alegria. E todas essas frases sobre a "vitória do povo carioca" caíram junto com o helicóptero, quando os traficantes decidiram mandar lembranças com três tiros precisos. Em dia de especial bom humor, deram só três tiros no helicóptero da Rede Globo, ao contrário do outro da polícia, que metralhado no ano passado, caiu, explodindo e matando os policiais. -
Quanto às tropas da polícia, já velhas conhecidas deles e em alguns casos parceiras informais de negócios, elas pouco ligam para isso. Quanto às tropas do Exército e da Marinha estão na triste situação de ficarem dentro de seus tanques inúteis, estacionados no pé dos morros, sem ter o que fazer, enquanto denúncias de envolvimento de soldados com furtos e maltratos aos moradores já começam a aparecer na imprensa. Tudo isso sob o sorriso irônico dos soldados do tráfico, que de cima do morro , veem tudo.
Ou traduzindo tudo na celébre interpretação do ator Sandro Rocha, que no filme "Tropa de Elite 2" fazendo o papel do corrupto Major Rocha, ao ser enquadrado pelo comandante do batalhão da PM, igualmente corrupto, resume sua desobediência numa frase acachapante, que deixa o comandante sem resposta:- E tem mais. Quem disse que o comando do batalhão é teu?
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sábado, 22 de janeiro de 2011
P58 O cofre da Dilma
Após os desastres naturais que assolaram a população do Rio de Janeiro e agora assolam as cidades de Santa Catarina, viu o povo brasileiro o quanto está entregue à sua própria sorte e pior ainda com seus governantes dedicados à rapinagem generalizada das riquezas que esta nação imensa ainda consegue produzir.terça-feira, 11 de janeiro de 2011
P57 Quem roubou a manteiga?
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O artigo de hoje foi publicado originalmente no bilogue "Oitavo-Dia" que é postado em Portugal e onde a cada semana publico um texto. Tendo conhecido o trabalho deles há muito tempo e leitor frequente, acabei convidado a escrever lá, o que faço com gosto mas sempre sobre temas políticos. Escreveria hoje aqui sobre um outro tema político, mas o que postei ontem lá me pareceu apropriado, já que sobre o que vou escrever vai me custar mais uma pesquisa. Mas parece que uma sociedade que reprime pequenos furtos com uma severidade impensável e premia terroristas com a liberdade não tem em definitivo, padrões de comportamento jurídico e político que possam ser chamados de civilizados. Pode-se se fazer de tudo sobre isso, menos elogiar, que me perdoe o leitor que disse que eu só reclamava. E dá para fazer outra coisa? O mínimo a fazer então é manter viva essa indignação pelas palavras e pelos meios que venham a ser possíveis, já que por hoje só podemos escrever.
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Senão vejamos. Somos uma sociedade onde leis implacáveis vigiam o farmacêutico. Se um fiscal flagrar o farmacêutico vendendo tranquilizantes sem receita para um consumidor, além de aplicar uma multa pesadíssima, pode fazer com que ele perca até a farmácia. No entanto, se no mesmo momento em que o fiscal estiver fazendo isso, chegar a polícia que já seguia o fiscal e fazê-lo esvaziar os bolsos e encontrar alí pedras de crack, dependendo da quantidade ele pode dizer com um sorriso que é para seu uso pessoal pois ele é viciado.
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E a polícia, com a maior cara de idiota tem que ir embora, enquanto ele acaba com a vida do farmacêutico e envolve o comprador dos tranquilizantes também num processo. Aliás ele pode até mesmo chamar os policiais de volta para que prendam o farmacêutico, os mesmos policiais que poderiam estar prendendo o fiscal que traz drogas no bolso e que agora pode dar ordens para eles, pela letra da lei. O que é pior? Uso de tranquilizantes por necessidade ou uso de crack financiando o crime organizado?
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A mesma polícia, voltando frustrada para a delegacia pode ser imediatamente parada por um comerciante que pede socorro. Uma mulher acabou de roubar um pote de manteiga em sua loja e a polícia a leva a bofetadas para a prisão onde ela vai ficar presa por alguns meses e isso realmente acontece pelo Brasil afora. Logo depois de prenderem a mulher recebem a tarefa de escoltarem para a detenção em sala de Estado-Maior um magistrado envolvido em crimes, que ficará com todo conforto em uma sala onde será cumprimentado por outros policiais e chamado de "excelência".
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Ora, uma sociedade que se porta dessa forma perdeu todos os seus paramêtros, todas as suas referências de comportamento, de valores morais e de justiça. Tudo é relativo. O farmacêutico vai preso, o fiscal cúmplice de traficantes está livre, a mulher pobre que roubou um pote de manteiga é presa, o magistrado que desvirtuou a justiça fica solto e em outra cidade um jornalista que matou sua namorada e é réu confesso é condenado a 19 anos de prisão e para espanto de todos sai solto no mesmo dia da condenação. Hoje o cidadão brasileiro não pode contar com a polícia, com o judiciário ou com as leis. Tem que contar com a sorte.
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Assim Cesare Battisti, terrorista italiano iria escolher que outro país para se esconder? Só poderia mesmo escolher o Brasil, onde percebeu que teria bons companheiros no meio político e judiciário. Verdade que mesmo nesses meios há os que se opõem a isso, mas o que impera é o relativismo moral. Nem todos, mas a maioria dos magistrados decidida a aplicar uma pena impiedosa a Cesare Battisti, acharia a coisa mais correta se um dos seus pares fosse afastado por ser flagrado envolvido em corrupção e crime de vendas de sentenças. Eu disse afastado e continuando a receber seu salário porque nesse caso um magistrado nem é preso. E depois seria "condenado" à pena de aposentadoria, exatamente porque se envolveu com criminosos. Vendo tudo isso, onde mais Cesare Battisti poderia se dar bem? Só no Brasil mesmo. Ou seja, do momento em que o fiscal da Anvisa abordou o farmacêutico, do momento em que ele foi abordado pela polícia, do momento em que a polícia prendeu uma pobre ladra, do momento em que ela teve que ver o assassino solto após o julgamento e do momento em que ela ainda tem de servir de escolta para um magistrado corrupto, percorremos um caminho absurdo de relativismo moral. Esse relativismo é chamado de lei, código civil, código penal, constituição e vários outros nomes, como convém a um criminoso. Ou criminosa? Bem, tudo é relativo.
Outro bom filme da década de 90 foi "Os Bons Companheiros" onde Ray Liotta interpretava um gangster em ascensão, cumprindo todas as ordens da Máfia para chegar ao topo. Seu colega vivido por Joe Pesci quase conseguiu uma posição de comando mas morreu executado por ordens dos seus amigos. Robert de Niro, no papel do quase chefe dos amigos dá uma última missão para Ray Liotta, que percebe claramente que nessa missão terminaria morto como seus amigos que sabiam demais e então busca refúgio como testemunha do governo americano, passando a viver protegido com outro nome. Em todo caso ele sabia para onde estava indo para continuar vivo.
Só restou mesmo o guichê das companhias aéreas para comprar passagens para o Brasil, com certeza o lugar mais seguro na busca de um refúgio, dado que antigos terroristas que por aqui praticaram atentados e assassinatos na década de 70, hoje estão no governo e ainda por cima, em cenário absurdamente diferente de países estrangeiros, desfrutam de ricas aposentadorias que eles mesmos se concederam quando ocuparam cargos legislativos. Que outro país qualquer terrorista escolheria para fugir? Só mesmo o Brasil.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
P56 Desculpe por reclamar
Devo então pedir desculpas aos poucos leitores que aqui aparecem de vez em quando. Afinal não ressurgi no primeiro dia do radioso ano de 2011, em que pese a foto que escolhi para ele. Devo pedir desculpas por reclamar. Ou estarei apenas descrevendo o que vejo e como cidadão passando o sentimento político que tenho para a minha descrição? -
E o cenário é dos mais desoladores. Da mesma forma é a descrição dele.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
P55 Festas, enfim...
Fim de ano, festas...Apesar de coisas a serem comentadas, estamos na época de verificar as passagens para mais uma viagem de festas de Natal.-
Saio para acertar os detalhes da viagem e para voltar no primeiro dia do novo ano escrevendo sobre como uma visão crítica nem sempre é estar errado. Talvez seja apenas a descrição do que vemos sem óculos cor de rosa.
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E o "grande sucesso militar" das autoridades e do Estado no Complexo do Alemão? Esse triste fato merece por si só um impiedoso estudo de analistas políticos e militares, mas a imprensa escreveu que "ganhamos". Verbas publicitárias é claro.
E boas festas a todos os amigos leitores, tanto de fim como de começo de ano. E mais uma vez, agradeço pela companhia aqui neste espaço.
