Necrológios podem ser feitos sobre a vida de uma pessoa e descrever como viveu e morreu. Era também uma forma de o exército americano dar para a família dos soldados mortos a notícia sobre como um dos seus filhos tinha morrido em combate. Isso fica bem claro no filme "O resgate do soldado Ryan", onde um grupo de soldados parte em missão de salvar outro.
Os feridos eram atendidos com os socorristas e médicos atuando também sob fogo inimigo. A maioria deles, ao socorrer seus companheiros de luta também se feriu ou morreu. Depois do fim dos combates, quando os soldados americanos puderam enfim ver a praia conquistada, puderam também ver claramente as baixas que haviam sofrido.
Em geral as cartas faziam uma descrição breve do acontecido e eram entregues pelo setor de comunicação do exército americano. Toda família que visse o carro com o emblema do exército chegando sabia que podia esperar uma notícia triste. Mães e pais ao verem o carro começavam a chorar.
Tudo isso faz parte da história, parte das memórias de uma guerra. De uma forma semelhante, mas silenciosa, temos uma guerra acontecendo aqui no Brasil, com centenas, talvez milhares de baixas todos os dias. De forma semelhante tais baixas poderiam ser comunicadas às famílias que sofrem essas perdas todos os dias. E como seriam?
Como alguém descreveria que seu pai, sua mãe ou seu irmão morreram na verdadeira guerra que a corrupção move contra os cidadãos brasileiros, armada e municiada por esse exército de políticos corruptos que hoje infelicita a nossa nação?
Por meio desta informamos que seu marido veio a falecer no hospital público estadual. Já sobrecarregado trabalhando para completar sua pequena aposentadoria, ele sofreu um infarto enquanto trabalhava como pedreiro, função que exerceu por toda a vida, sempre competente e assíduo em seu serviço. Como a Sra. já devia ter conhecimento, a assembléia estadual permite uma corrupção sem precedentes na administração atual e além de se aposentarem de forma privilegiada, o que rouba recursos e verbas do orçamento, ainda nomeiam apadrinhados incompetentes, para não dizer desonestos, para gerirem a área de saúde. Acolhido no hospital sem recursos, seu marido agonizou recebendo apenas analgésicos. Sentimos muito pela sua perda.
Plantonista responsável e desesperado 
Prezada Sra. Maria Silva
Nossas condolências à Sra. e a toda sua família pela perda de sua filha ontem no hospital público federal. Tentamos de tudo para salvá-la e tínhamos esperanças, afinal os ferimentos que ela sofreu ao ser atropelada não foram graves, mas eram essenciais os medicamentos que ela necessitava e a transfusão de sangue que teria salvo sua vida, o que não tínhamos em estoque e nem conseguimos transporte para levá-la a outro hospital. Como a Sra. deve conhecer um pouco da tradição política brasileira, nossos deputados federais e senadores primam pelo descaso com a vida do cidadão e imersos na corrupção, administram de forma desleal, eu diria mesmo assassina, os recursos bilionários que recebem do governo federal e mais ainda com as nomeações de aliados políticos ineptos e igualmente corruptos, que no final criaram o sistema público de saúde, que mais que o acidente, esse sim provocou a morte de sua filha.
Equipe médica sem esperanças
Vivemos todos nós brasileiros esse drama. Na verdade essa guerra. No dia 6 de junho de 1944, milhares de soldados americanos e seus aliados desembarcaram nas praias da Normandia para atacarem um sistema que representava a tirania, a opressão e o genocídio no mundo. Foram vitoriosos.
Nós brasileiros, sofrendo todos os dias as baixas dessa guerra que a corrupção move contra nós, temos igualmente que entrar numa espécie de combate semelhante, se quisermos manter nossas vidas, mais que isso a vida da nossa própria nação.
Haverá sem dúvida mais sofrimento, mas se formos decididos, se empunharmos as armas para lutar contra esse sistema de corrupção, de degradação moral e de decomposição política que hoje nos infelicita, devemos sim empunhar as armas, sejam elas quais forem, que efetivamente nos levem à vitória. O tempo de vivermos uma ilusão, ouvindo os discursos de políticos hipócritas e traidores que falam de democracia e cidadania apenas para continuar enganando a todos já passou.


Num dia de sol, os funcionários do aeroporto de Brasília dão-se por felizes no final de mais uma sexta-feira. O último deputado embarcou com o último senador para suas cidades de origem, como sempre com o pretexto de "consulta às bases", eufemismo usado para tomarem uísque na beira de suas piscinas e negociarem mais algum conchavo político.
No presídio da Papuda em Brasília, onde Cesare Battisti está preso, mas já na condição de anistiado político, com a anistia concedida pelo ministro da Justiça Tarso Genro e que ainda vai ser julgada pelo Supremo Tribunal Federal, o dia corre tranqüilo. Já na certeza de logo estar solto, Cesare se dedica a ler um livro. Os agentes do presídio se espantam com os caminhões do Exército que estacionam na frente do presídio. Um capitão informa que estão alí para levarem Cesare Battisti para um quartel. Ante a recusa do diretor do presídio, blindados M-113 derrubam os portões e entram. Poucos minutos depois Cesare Battisti está algemado dentro de um dos caminhões sendo levado para o Comando Aéreo de Brasília.
Um destacamento de soldados se posiciona na entrada do Supremo Tribunal Federal. Tanto lá como no Congresso Nacional, documentos, computadores e todos os arquivos começam a ser recolhidos. Entrada e saída são restritas e os prédios são tomados pelos soldados.
O presidente Lula tenta sair de sua residência oficial, mas comunicam-lhe que para sua segurança ele será mantido sob custódia, enquanto a nação é informada do que acontece. Em Porto Alegre, o ministro da Justiça Tarso Genro acompanhando os fatos decide ir até o aeroporto Salgado Filho para embarcar em seu jato para Brasília. Ao chegar no aeroporto é preso por um destacamento da Aeronáutica que já o aguardava dentro hangar.
Durante o sábado e domingo prisões de diversos políticos se sucedem em todo o Brasil. Alguns fogem para países da América Latina pedindo asilo, outros se refugiam em embaixadas estrangeiras.



Peço desculpas aos amigos que vieram neste espaço e quase nada encontraram. É tempo de retornar.
Um grande abraço e obrigado pela compreensão.

